Bem-te-quero e malmequeres‏

Quantas vezes mais precisarei de dizer, pela boca ou pela pena, que não sou Dr. (DOUTOR)?
Sou um simples bacharel em turismo formado pelo I.S.L.A. entre 1982 e 1984. Um simples profissional de turismo na vertente técnica que se limita a vender viagens para o Porto Santo, ou para Paris ou para a China e a andar um pouco por todo o mundo porque essa forma de estar também faz parte do meu crescimento profissional.
Mas este é um dos karmas portugueses de quem, por hábito, veste um fatito com uma gravata mais ou menos colorida, tem bom aspecto e até saber articular em bom português. Para além, claro está, de alguma visibilidade por via da escrita, da representação ou da televisão. Ou seja, é-se logo promovido a Dr. com canudo atribuído pela respeitabilidade (servilismo, complexo de inferioridade, ignorância?) alheia.
Somos um país de gente culturalmente pobre e que muitas vezes revê no próximo uma importância que o próximo não tem. É triste e lamentável.
Mas mais lamentável é o facto daqueles que não são Dr. calarem a boca, não desmentirem e envergarem títulos académicos que não lhes pertencem. Esta sim, é uma pobreza ainda maior (de espírito e postura) de que o nosso povo enfatuado (mas coitadinho) padece.
Apesar de muitos de nós, os que não somos Dr., valermos bem mais (do ponto de vista cívico, moral, cultural e por aí fora), do que alguns que o são.
Da minha parte o que mais gozo me dá é, publicamente (seja em simpósios, congressos, palestras, apresentações disto e daquilo) poder desmistificar à fartazana o facto de não ser Dr. quando me atribuem a equivocada honra de o ser.
É que o nosso povo, seja ele Dr. ou não, ainda não se habituou a tanta frontalidade e despojamento “titular”. Pois olhem…vão-se habituando!

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