Bem-te-quero e malmequeres‏

Ninguém sabe “o que vem por aí”. Ouvem-se declarações ministeriais que cortam a direito em subsídios de férias e de Natal. Ouvem-se decretos superiores que nos castigam com mais impostos, lêem-se notícias de mais assaltos, de mais suicídios, de mais desempregos, de mais falências.
Siglas como FMI, BCE, TROIKA e tantas outras cuja sonoridade já arrepia qualquer um, passaram a fazer parte do léxico comum e que nos invade a casa e o local de trrabalho como se de almas penadas se tratassem.

E, quer queiramos quer não, a verdade é que tudo isto, aliado às imagens que nos chegam da Grécia e de um ou outro ponto do mundo que se vai revoltando, acabam por mexer com o juízo mais ajuizado do cidadão comum, dito normal.

Na passada semana, circulando a diferentes horas do dia pelo Funchal numa sexta-feira parda de nuvens pouco auspiciosas para um Verão que se atrasa em sair, o pulsar da cidade agonizava. As esplanadas repletas de cadeiras tristes (mas não por causa dos esparsos chuviscos), as ruas vazias de alma e com esparsos trauseuntes, as vias rodoviárias desimpedidas de carros e convidativas ao não engarrafamento e, à noite, naquele que é um dos dias mais movimentados de qualquer cidade, apenas os candeeiros jorrando uma luz mortiça amarelada, apenas algumas figuras, esparsas, a caminho de uma festa ou de um copo tardio. Os restaurantes sufocados pela inexistência de clientela com os empregados de olhar vazio olhando um futuro que não lhes sorri.

São sinais que cada vez mais atestam o anunciado declínio de uma sociedade, a portuguesa, que se vê económicamente asfixiada, que se vê castrada de sonhos imediatos. E isto é apenas o começo. Uma ante-câmera da morte de enormes dimensões em que todos (ou quase) nos vemos enclausurados.
Às vezes apetece baixar os braços. Só que, e por mim falo, essa nunca será a minha postura. Porque enquanto os tiver, aos braços e à postura, terei sempre um sorriso de amanhã e uma palavra de futuro. Terei sempre uma vontade indómita de fazer!

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

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