Bem-te-quero e malmequeres‏

Existem pessoas que em determinado momento das suas vidas descobrem em si mesmas um universo imenso centrado no seu umbigo. E é nele, nesse umbigo (in)finito, que tudo passa a nascer, a acontecer e a finar-se, se for caso de algo se finar…
Nesse umbigo as divisões, os departamentos e os anexos estão repletos de espelhos. São espelhos emoldurados de narcisos e que apenas reflectem a imagem dessas pessoas que nada mais conseguem olhar em seu redor.
Os habitantes desse universo que para si criaram são pessoas normalmente sem escrúpulos e que se dedicam a escravizar meia dúzia de incautos que se deixam iludir por tanto abraço, por tanto sorriso e por tanta palavra bonita, sem se aperceberem que estão a ser gozados, (ab)usados e aproveitados.
Nesse umbigo imenso existem holofotes por todo o lado que apenas se projectam sobre os criadores de tais universos. E os que nele entraram para servir, deixam-se encandear por tanta luz e calor que deles de desprendem.
É um universo egoísta e insensível onde eu sou a melhor escritora, a melhor cantora, o melhor pintor, o mais arguto político, o melhor profissional, a dona da verdade e da razão. A figura imperial que se auto proclama, que se auto entrona, que se auto coroa e se intitula de…altruísta.
Mas a verdade é que, se formos bem a ver, este universo tão repleto de maravilhas, nada mais é do que um lugar de profunda solidão, de uma imensa tristeza, de uma imensurável fealdade e de um não regresso amargo e silencioso, por mais ruído que as suas inquilinas se empenhem em fazer em torno da sua empáfia e ridícula falsidade. Da sua figura viúva e aborrecida.

 

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

 

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