Secretismo e autonomia não combinam

Seguro deixa críticas à forma como decorrem as negociações entre a Madeira e a República.

Terminou, há instantes, o XV Congresso Regional do Partido Socialista da Madeira. António José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista, marcou presença na sessão de encerramento e fez duras críticas ao Governo Regional de Alberto João Jardim e ao Governo da República.

O socialista disse que se fosse Primeiro-Ministro de Portugal as negociações com a Madeira decorreriam de outra forma, sendo pautadas pela transparência e pela verdade, até porque o secretismo não casa com a autonomia.

“Não tem nenhum sentido que o Governo Regional da Madeira e o Governo da República tratem deste programa de assistência financeira sem ser conhecido e sem ser à luz do dia”, apontou, lamentando ainda que os restantes partidos na Assembleia Legislativa não estejam associados à discussão.

Seguro quis também reafirmar a solidariedade de todos os socialistas portugueses para com a Região Autónoma da Madeira, sobretudo neste momento difícil, em que se avizinham duras medidas de austeridade, dizendo que “as divisões entre nós não têm sentido, (…) porque no essencial somos todos portugueses”.

E, neste contexto, fez questão de frisar que não podemos confundir o povo madeirense com o Governo da Madeira. Facto que o atual líder do Governo, Pedro Passos Coelho, não consegue diferenciar.

“Esta é a terceira vez que estou na Madeira, como líder do Partido Socialista, e isto faz toda a diferença em relação ao Primeiro-Ministro de Portugal, que foi eleito antes de mim e que nunca esteve na Madeira”.

No decorrer do discurso ficaram também duras críticas à forma como se está a gerir o país e a situação de crise sócio-económica. Mais do que conduzir os portugueses ao empobrecimento, sugerir aos jovens a emigração, é preciso encontrar alternativas, como sejam “a aposta nas exportações e a produção de bens e serviços transacionáveis”.

O secretário-geral do Partido Socialista realçou, de igual modo, a importância de se gerar um consenso no plano de assistência financeira, para que não se crie um programa inexequível e com prejuízos para os madeirenses e os portossantenses.

Tempo de acabar com os vícios na Madeira

Victor Freitas, líder dos socialistas madeirenses, secundou as ideias deixadas por António José Seguro, acrescentando que agora, mais do que nunca, é tempo de acabar com os vícios instalados na Madeira. A vitória tangencial do PSD/M, nas eleições regionais de Outubro, deve servir como um aviso à navegação.

Já no que concerne ao plano de assistência financeira agora em discussão, um plano cuja carga fiscal mata a economia regional, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, foi acusado de usar as pessoas.

“Tem sido esse o papel do atual governo da Madeira nos últimos anos. Mas quero afirmar que para nós, Partido Socialista, as pessoas estão em primeiro lugar” e não podem ser instrumentalizadas para fins partidários.

O socialista mostrou-se, no entanto, confiante numa mudança do cenário político, até porque a insatisfação dos madeirenses e dos portossantenses pode abrir um novo ciclo. Aliás, contrariamente ao que disse o presidente do Governo, não é ele o elo mais fraco destas negociações, mas sim toda a população que vai arcar com as consequências de anos de esbanjamento dos dinheiros públicos.

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