Bem-te-quero e malmequeres‏

Justiça popular

Lia há uns dias atrás, numa declaração feita à comunicação social por um comandante da psp, e a propósito da cada vez maior tendência para a aplicação e efectivação da justiça popular, que “num Estado de direito democrático, nada pode justificar a recurso à justiça popular, a aplicação da justiça deve ser feita nos locais certos e através dos órgãos próprios para o efeito.”
Palavras certas da parte de quem representa tão nobre Instituição. E que outras palavras não poderia proferir sob risco de ir comandar tropas para o Afeganistão (na linha da frente, claro está)…
Mas são palavras que me soam erradas. Em algum momento do discurso soam-me…equivocadas.
Primeiro porque o nosso Estado de direito é, reconhecidamente uma treta. Uma brincadeira. Uma reles imitação de um Verdadeiro Estado de Direito. É um Estado em péssimo estado, como por todos é visivelmente reconhecido. E o Direito, como também todos sabemos, não assiste a todos.
Segundo porque os “locais certos” e os “órgãos próprios para o efeito” são, também reconhecidamente, genuínos antros de compadrios, de influências, de injustiças, de negligências, de inércias, de inépcias, de lobbies e de tudo o que não tem que ver com justiça, com hombridade, com isenção, com imparcialidade. Nem vou aqui explorar, ou deambular, sobre questões como Casa Pia, Freeport, BPN e tantos outros que ostentam siglas e conjugações portentosas mas que, afinal, não passam de balões cheios de presunção mediática, repletos de pressupostos e insinuações e matéria para exploração (tantas vezes ridícula e vergonhosa por parte da comunicação social). São balões cheios de nada que se esvaziam num abrir e fechar de olhos…
Pelo que, em jeito de conclusão, meu caro comandante, meus caros concidadãos, e porque vivo num estado indecorosamente democrático, e alegremente livre, e numa sociedade de direito…sinto-me no pleno direito de apedrejar ou electrocutar o ladrão que algum dia tentar entrar em minha casa, sinto-me no pleno direito de espancar qualquer um que atente contra a minha segurança, a segurança da minha família ou dos meus bens. E até me sinto no direito de matar quem, algum dia, ouse abusar, violentar, violar, assustar sob que forma for a minha filha.
Ficam apenas alguns exemplos. Fica apenas o aviso à navegação malandra e aos representantes da(s) autoridade(s) que, por falta de recursos, de vontade, de saber ou de atitude…já nem justiça conseguem ver feita neste desgraçado estado de direito pseudo-democrático.

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

[twitter style=”vertical” float=”left”] [fblike style=”standard” showfaces=”false” width=”450″ verb=”like” font=”arial”] [fbshare type=”button”]

Pin It on Pinterest