Bem-te-quero e malmequeres‏

Já não se pode…não pensar?

Mas afinal quem é que se acha no direito de possuir a irritante legitimidade de me perguntar no que é que estou a pensar quando o que realmente procuro é um silêncio benigno à minha volta combinado com uma ausência completa de vozes e dos ruídos por elas provocados?
Que eu saiba ninguém! O pensamento ainda é daquelas coisas que não se conseguem partilhar. Porque é livre e quando nasce já vem com carta de alforria.
Será que não posso estar a sós com o meu pensar?
Por isso ninguém tem nada que ver com o que estou a pensar. Até posso estar numa de não pensamentos…
Ou posso estar com o pensamento ocupado com a delícia que foi ouvir o Woody Allen a dar uma entrevista, posso estar com o pensamento ocupado a mastigar o desfecho do último livro de Carlos Ruíz Zafón, posso ter o pensamento ocupado em arquitectar a próxima onda de ataque às escritoras medíocres do meu burgo ou a trautear uma ária da Tosca.
Ou tão-só a relembrar aquele olhar, a revisitar aquele mar, a escrever mentalmente mais um poema, a sorrir interiormente maus uma noite de amor vadio e maravilhosa que me voltou à memória e ainda me traz um sabor a corpo na boca. Quem sabe a imaginar-me em intimidades com a Scarlett Johansson…
Nada querida, nada…não estava a pensar em nada!
(como se não pensar em algo fosse possível)

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

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