Bem-te-quero e malmequeres‏

O parque do amor

Caiu-me recentemente no colo (salvo seja), uma daquelas notícias que fazem o furor de qualquer tarado (salvo seja) que se veja em palpos de aranha para dar uma queca (mais ou menos rapidinha, mais ou menos demorada) no banco de trás do seu veículo ou, se a necessidade for mais premente, logo ali nos bancos da frente sem problemas que possam ser levantados (erguidos ou erectos) pela manete das mudanças ou pelo rodado do volante.

Aliás, e para quem sabe da poda (sem “h”), para fazer amor (ou sexo) dentro de um carro não é precisa muita imaginação. Basta ajeitar os corpos, correr as cortinas virtuais (excepto para os que gostam de provocar os mirones) e fazer com que a buzina não toque inoportunamente a meio do acto…

De resto é simples e, se os participantes forem cuidadosos, não deixa marcas (nódoas ou vestígios) e podem mandar vir o teste do algodão que até é capaz de ser aprovado com distinção!

Mas vem o propósito de tudo isto acerca de um “parque do amor” que está previsto ser preparado numa localidade perto de Nápoles. Não fossem eles italianos e napolitanos, ora bem! Segundo a promotora autarca da ideia, o estacionamento será pago e vigiado (por praticantes de voyeurismo?) para assim defender a segurança de quem gosta de “fazê-lo” dentro de uma carroçaria balançante.

Há que transformar o acto de amar dentro de um carro em algo menos deprimente (como forrar os vidros com papel de jornal com a carantonha do Pinto da Costa ou do Sá Pinto ou da rainha de Inglaterra a olhar para as nossas intimidades, ou procurar lugares escuros em bairros perigosos) e mais salutar (afinal o sexo é bom e está provado que quem fica a ganhar é a nossa saúde!).

Ah…e mais, serão feitas divisórias para maior privacidade dos utentes…e distribuídos (não sei se gratuitamente) preservativos.

Projecto que desde logo enferma de alguns defeitos…Os preservativos, levem sabor a morango, banana prata, poncha à pescador ou bolo de mel, têm um final de boca a…borracha. E as divisórias são lixadas como tudo porque castram a inspiração e a obscenidade que se quer em momentos destes. Desde quando é que sexo em público não é obsceno? Para evitá-lo, vai-se para casa, para um hotel ou, em países mais pra frentex, para um motel!

E por cá? Sim, por cá, na Madeira? Onde poderá ser construído o “parque do amor”? Ou será que nós, madeirenses, não temos direito a dar outro tipo de serventia ao nosso carrinho?

Aqui ficam algumas ideias: aterro junto à avenida do mar (está ali mesmo à mão e não tem que enganar – é dinheiro em caixa!). Parque de estacionamento de algum supermercado em que cada vez mais se notam prateleiras vazias e lugares sem carro (seria uma forma de contornar a crise e equilibrar as contas no final do mês). Marina do lugar de baixo (é um sítio estranho, apetecível, dementemente orgástico, suficientemente afastado da cidade e que promete adrenalina quando, no quase atingir do clímax, vier uma vaga de doze metros, levar tudo à frente e o carrito com o casal lá dentro na crista da onda…).

Na garagem lá do meu prédio também pode ser. Meto o meu carro na rua e começo a cobrar “sexo ao minuto”. É que a vida tá difícil e ainda tenho o condomínio em atraso…

Em Lisboa não tem nada que saber: jardins do palácio de belém. Assim já o presidente desta fantochada lusitana vai ter mais uns dinheirinhos para a sua tão empobrecida reforma!

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

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