Bem-te-quero e malmequeres‏

Os rostos da saudade

É verdade que as saudades também têm rostos. Rostos de pessoas que por algum motivo se perderam das nossas vidas. Por morte, por inimizades, por afastamento geográfico, por tantas e tantas razões que muitas vezes a própria razão não entende.
Hoje, 19 de Março, faz um ano que desapareceu, por morte premeditada e organizado ao ínfimo pormenor, o meu amigo, e primo por afinidade, Patrick Açafrão. Morte que a todos nos deixou em estado de choque profundo, uma dor imensa, um porquê no pensamento. Por amor, foi a resposta à nossa perplexidade. Um rapaz de 30 e poucos anos que encontrou na morte a solução para os seus males de amor e paixão.
Tenho saudades da sua alegria, da sua permanente boa disposição, do seu sorriso, da sua doidice, do seu benfiquismo alucinante. Da sua amizade.
Em Fevereiro do ano passado um outro querido amigo, o Nuno Miguel Santos, não despertou do seu sono. Morreu durante a noite, pacificamente, sem acordar ninguém. Tinha vinte ano de idade, uma carreira pela frente, enquanto músico e compositor, pois era de um virtuosismo acima da média, era de uma alegria contagiante, era esfusiante na sua pouca idade. O seu coração fraco era o inimigo silencioso e traiçoeiro. Apanhou-o sem defesas a meio da noite, impedindo-o de continuar a brilhar.
Também dele, do Nuno Miguel, tenho saudades, apesar de poucas vezes ao ano me encontrar com ele e com a sua fantástica família.
Em Outubro deste ano fará 10 anos que o meu querido primo Joaquim João (Quimjão) Conde Barroso, morreu aos 40 anos de idade. O meu primo dilecto, companheiro do estilista José Carlos, também ele com uma apurada sensibilidade e arte para as coisas da moda. Depois de doença prolongada (SIDA) o seu organismo acabou por fraquejar e o seu corpo deixou-se levar em agonias que não imagino.
O meu querido Quimjão, de sorriso lindo, de olhar meigo, de palavras calmas e doces que, após todos estes anos, continua a deixar em mim marcas de saudade e lágrimas que choro para dentro.
São apenas três exemplos de partidas prematuras em gente de idade precoce. Apenas três exemplos, entre tantos outros, em que as vidas de qualquer um de nós são tristemente férteis.

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia.

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