Região com ‘futuro negro’

O agravamento dos impostos vai provocar o encerramento de muitas empresas e, em consequência, a escalada do desemprego.

A partir de amanhã os preços de inúmeros bens e serviços vão aumentar, fruto do que ficou acordado no Programa de Ajustamento Financeiro da Madeira assinado entre o Governo Regional e o Governo da República.

Em declarações ao Cidade Net, o presidente da Associação de Comércio e Serviços (ACS) alerta que o tecido empresarial, a economia regional e as famílias não estão preparados para esse “aumento brutal” em termos de IVA.

“Trata-se de um aumento transversal. Ou seja, deixando de haver a diferença de 6% do IVA, que compensava a continuidade territorial nos transportes marítimos, vamos ter os mesmos preços dos praticados em Portugal Continental. Em contrapartida vamos ter o aumento do ISP em cerca de 17% (IVA recai sobre os 15%). Por isso, por via directa e indirecta, vamos ver os custos de produção a aumentarem todos, o que se reflecte nos preços dos bens e dos serviços”, apontou Lino Abreu.

Aquele responsável frisou, ainda, que em 2012 o programa de ajustamento financeiro pretende ir buscar aos contribuintes madeirenses cerca de 122 milhões de euros. “Isto significa que cada madeirense que trabalha vai ficar com menos de 800 a 1000 euros por ano no bolso, o que representa uma média de 100 euros a menos em cada mês”, observou.

Desta forma, Lino Abreu reitera que o povo madeirense, a economia e o tecido empresarial “não estão preparados para o choque fiscal” que acontecerá em Abril. “Infelizmente, o Governo Regional não tem um plano B, não tem um plano de crescimento económico que acompanhe o plano de austeridade”, transmitiu.

O presidente da ACS traça, assim, um cenário negro para a Região, antevendo o aumento substancial do desemprego e o encerramento de muitas empresas fruto da escalada da recessão económica.

Segundo Lino Abreu, os dados oficiais de Fevereiro indicam que em 2012 abriram 58 empresas, houve 67 dissoluções, 32 insolvências e 167 processos entraram em tribunal. “Quer isto dizer que temos um aumento de mais de 140% em relação a igual período do ano anterior. Refira-se que só no ano transacto foram para o desemprego 3367 trabalhadores (+ de 300 desempregados por mês). Em 2011, encerraram cerca de 1267 empresas”, concluiu.

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