Bem-te-quero e malmequeres‏

Dia das verdades

Hoje é o dia das verdades. Sim, porque se ontem foi o das mentiras hoje só pode ser o das verdades. E as verdades são que a troika decidiu abandonar a pressão sobre Portugal, as dívidas foram todas perdoadas e as metas-requisitos todos ultrapassados nos seus objectivos em matar a crise.
A verdade é que também a corja política regional, nacional e internacional, abandonaram a sua forma de mentir ao povo, de o enganar despudoradamente, de o sacrificar e escravizar em função dos seus tachos pessoais e obscuros ditames. Mais ninguém viverá à conta dos milhões roubados directa ou indirectamente aos contribuintes. Os políticos entregaram o poder a comissões mistas de pessoas de boa-vontade, a cidadãos exemplares, a homens e mulheres de bem que, acima de tudo, defendem os interesses dos concidadãos e dos países em que vivem.
A verdade é que, por decreto superior e universal, foram abandonadas as guerras (políticas, religiosas, económicas) que atravessam o mundo.
Foram abolidas a inveja, o ciúme, a traição, a mentira, a maledicência (com um decreto-lei específico para a bilhardice), a arrogância, a petulância e a altivez.
A verdade é que foram erradicadas a fome, a mendicidade, a pobreza, a iliteracia, a seca extrema, o fundamentalismo, o terrorismo, a pirataria, o tráfico de armas, de drogas, de órgãos, de pessoas, de influências.
A verdade é que foram perpetuamente presos todos os ladrões e assassinos, todos os pedófilos e violadores, todos os esclavagistas e juízes corruptos, e todos os criminosos de colarinho branco-rosa-lilás-azul-bebé.
A verdade é que hoje, dia 2 de Abril, as prioridades são a saúde, a educação, o voluntariado, a paz e a pacificação mundiais. A harmonia e o companheirismo. A abundância e a cumplicidade. O amor e um completo bem-estar.
É verdade que ontem, dia 1 de Abril, foi o dia das mentiras. E infelizmente é mentira que hoje, dia 2 de Abril, poderia ser o dia de todas as verdades, realidades, sonhos e desejos almejados pela raça humana.

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia.

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