Bem-te-quero e malmequeres‏

NÓS, OS POETAS, SOMOS ASSIM…

pegamos numa palavra simples
e erguemos-lhe um mundo sem fim;
…quando olhamos o azul do mar
enchemo-nos do seu espaço
povoando-lhe o horizonte
com palavras em descompasso;
…respiramos por entre estrofes
as vidas (des)encontradas,
quando abusamos das letras
e as deixamos desarrumadas;
…desalinhamos preconceitos,
injectamo-nos de beijos pe(r)didos,
salpicamo-nos de orgasmos poéticos,
irreverentes, perfeitos, atrevidos;
…ao encontrarmos um sonho,
ou um pensamento irreal,
abandonamo-lo, deixamo-lo à solta,
tantas vezes património imaterial;
…vivemos (em permanência) apaixonados,
à sombra de um corpo de mulher,
bebendo-lhe venenos da pele,
morrendo por um olhar de querer;
…amantes (inconstantes) com e sem sentido(s)
[nas entrelinhas de um pretérito…
em que as palavras do poema bordadas
no cós de um futuro incondicional]
…é um conjugar imperfeito

Nós, os poetas, somos assim…
…quando deixamos palavras ao acaso no poema,
acorrentamo-las ao olhar de quem por ele passa,
(im)premeditados cenários de amor, desespero e dor,
provocadores que somos da devassa.

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia.

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