Bem-te-quero e malmequeres‏

Essa arábia…

…de que tanto sempre se ouviu falar. Eu próprio sempre ouvi falar dos árabes e dos seus países.
Eu próprio sempre receei os árabes, os muçulmanos, aquele islamismo suspeito e simbolizador de maldades e atrocidades.
Com razão, já que ao longo dos tempos as guerras a propósito das religiões, os choques a propósito das culturas, criaram em mim, e de uma forma geral no mundo ocidental, um temor cheio de adjectivos. Uma negação repleta de muita ignorância.
Depois…depois comecei a visitar os países que receava e me eram estranhos e perturbadores. E comecei a descobrir-lhes as ruas, as línguas, os templos, os rituais, os caos, as comidas, os cheiros, os paladares, as vestes, os monumentos, os mercados, as praças. No meu repertório árabe-magrebino-muçulmano, trago hoje lugares como Marrocos, como Tunísia, como Israel, como Jordânia, como Palestina, como Síria, como Líbano, entre alguns mais.
E olhando as notícias que correm mundo a minha perplexidade não combina com o que aprendi naqueles lugares e com aqueles povos. Povos subjugados por reinados absolutistas, por ditaduras férreas, por escravatura, por falta de liberdade, é certo, e que em si, e na sua História, traziam a revolta e a mortandade. Traziam a vontade de gritar, de mudar, de fazer pela democracia.
Daí as primaveras árabes que têm vindo a surgir ao longo dos últimos tempos. As primaveras que lhes eram devidas mas que, receio, pouco representarão para os tais povos que por elas lutaram. Talvez porque lhes esteja no sangue essa condição de vida quase infra-humana.
Dê no que der, a verdade é que todos os meus preconceitos para com estes povos se alteraram radicalmente à medida que lhes fui dissecando as idiossincrasias.
Porque se há gente afável no mundo, é o marroquino, se há gente doce e simpática no mundo, é o sírio, se há gente sofrida e necessitada de um sorriso, de um abraço, de uma palavra de amanhã, é o israelita e o palestino. Por isso já lhes perdi o medo. Hoje tenho mais medo do que um americano, do que um nazi ou do que um psicopata belga ou polaco ou português possa fazer contra mim.

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia.

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