Bem-te-quero e malmequeres‏

Este palco que eu habito…

…é um constante revelar de humanas condições.
Estendal de ambiguidades, onde a humildade se disfarça de vaidade, onde a mentira se confunde com a verdade, onde o ciúme se entrincheira por entre “gostos”, onda a in…veja sorri amareladamente, onde as vocações, as tendências, as sensibilidades, as emoções, as idiossincrasias são cortadas em pedacinhos e atiradas para dentro de um recipiente formando a mais caleidoscópica das improváveis combinações.
É por aqui, por este palco em permanente mutação, que passam segredos (in)confessados, poemas bem ou mal versejados, recortes de citações, músicas e fotos de antanho, idades vetustas e outras que ainda agora deixaram a condição de feto.
É neste palco que parabenizamos o aniversariante, que insultamos, ridicularizamos, ironizamos o próximo e a vida alheia, que exercemos o direito ao sarcasmo, à crítica, à liberdade de estar e dizer. Alguns camuflam-se de flores, de animais, de paisagens para melhor poderem sacanear os que desamam. Ou odeiam. Desses não rezará nem a crónica dos bons-maus malandros.
Mas é também neste palco que nascem paixões, que se dialogam assédios e atracções, que morrem esperanças e se enterram ilusões. Que deixamos fotos, memórias, lutos e palavras, tantas palavras!
É também nele que reencontramos amigos e famílias, que combinamos encontros e organizamos eventos, que tornamos mais curtas as distâncias, que combatemos os desencontros.
É um palco, esta montra virtual. Um palco de poetas e escritores, de músicos e pintores, de fotógrafos e bailarinos e actores. Onde muitos são artistas. É um lugar de gente que apenas chega e lê. De gente que partilha ou apenas vê. De gente que passa sem sabermos que passou. De gente que resolveu entrar, e que ficou. Porque todos nós, na verdade, nada mais somos que gente comum. Que chegamos e partimos. Com todos os defeitos e qualidades e características universais em que a universal condição humana se formou.
Este palco é gigantesco, é muitas vezes grotesco, é alegre e triste, é bálsamo e companhia, é ontem e amanhã, é noite e dia. Palco tantas vezes vazio, tantas vezes sem espaço, tantas vezes imerso em sombras encostadas às margens das luzes da uma equivocada ribalta.
Porque o presente é fugaz, porque a vida é efémera…
…neste palco que também eu habito.Ver mais

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