Ciganos portugueses sentem-se os mais discriminados

Oitenta por cento dos ciganos europeus vive abaixo do limiar da pobreza, muitos sem água potável, apenas 30% tem emprego e quase 50% diz ter sido discriminado nos últimos cinco anos, segundo um relatório divulgado hoje pela Agência Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA) que resulta do segundo inquérito sobre Minorias e Discriminação na União Europeia (EU-MIDIS II), para o qual foram entrevistadas 25.500 pessoas de várias minorias étnicas, entre as quais 7.947 ciganos.

Em relação aos ciganos, os países incluídos neste estudo foram Portugal, Espanha, Eslováquia, Bulgária, Croácia, República Checa, Grécia, Hungria e Roménia, onde, no conjunto, habitam cerca de 80% dos ciganos que vivem na União Europeia. No global, foi possível ficar a saber que 80% dos ciganos vive abaixo do limiar da pobreza, contra 17% da média europeia, 30% vive em casas sem água potável e 46% não tem casa com banho interior, chuveiro ou banheira, apenas 30% tem um trabalho remunerado e só 53% das crianças ciganas frequenta o ensino pré-primário.

Em Portugal, apenas 34% dos ciganos está a trabalhar, sendo que dentro deste valor 44% são homens e 23% são mulheres. Os ciganos portugueses sentem-se os mais discriminados entre os ciganos europeus e quase metade sentiram-se discriminados no último ano, sobretudo quando procuraram trabalho.

O relatório revela também que em Portugal, Grécia e Roménia “quase nenhum dos ciganos entrevistados conhece qualquer organização de apoio” e apenas 36% do total dos inquiridos disse saber que existe legislação que proíbe a discriminação com base na cor da pele, origem étnica ou religião.

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