Economia com risco crescente na China

O mais recente estudo divulgado pela Crédito y Caución, seguradora de crédito líder em Portugal, adverte para o aumento do risco de crédito na China, imersa no reequilíbrio da sua economia. “Durante quase três décadas a China conseguiu manter um elevado crescimento do PIB, com taxas anuais em torno dos 10%, impulsionadas pelo investimento e exportações que converteram o país asiático na segunda maior economia do mundo, com uma cota mundial de exportação de 6,8%. No entanto, este modelo de crescimento não é sustentável, sendo que a China pretende reequilibrar a sua economia com uma trajetória em que o consumidor torna-se o principal motor de crescimento”, pode ler-se.

Apesar do crescimento do PIB na China ter passado dos dois dígitos para 6,9% em 2015, as conclusões do estudo qualificam os progressos da mudança de modelo como “limitados”. “A relação entre o consumo e o PIB aumentou ligeiramente, continuando no entanto baixa, enquanto o investimento continua a ser o principal motor de crescimento. A ausência de um sistema de bem-estar social desenvolvido mantém alta a taxa de aforro e impede o aumento do consumo, embora tenham existido progressos através de reformas não-económicas, como as medidas de anticorrupção, foram dados passos importantes na abertura da balança de pagamentos e na flutuação da moeda chinesa, o yuan. Ainda que a as decisões políticas, até ao momento, tenham evitado uma dura derrapagem, não foram capazes de lidar eficazmente com o aumento do nível da divida que continuará a conter o crescimento do PIB”, conclui o relatório.

O crescimento do investimento na China é cada vez mais impulsionado pelo crédito, que se destina também a usos menos eficientes. De acordo com o relatório, os casos mais problemáticos são de empresas estatais, que têm relatado um aumento de poderio mais elevado e mais rápido do que as empresas privadas e uma rentabilidade significativamente mais fraca. Não é tanto o tamanho da dívida total da China que cria este risco, mas sim a sua elevada taxa de crescimento: o crédito atingiu 30,1% no primeiro trimestre deste ano, muito superior ao estimado como sustentável. “O ritmo atual da expansão do crédito faz recordar o comportamento pré-crise em países como Tailândia e Espanha”, explica o relatório.

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