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Autor Tópico: Guias e interpretes
pintoaj
Administrador
Posts: 16
Publicar Guias e interpretes
on: 9, November , 2009, 13:56

TERESA BRAZÃO

A profissão de guia-intérprete deverá ser a mais popular da Madeira, porque cá nascemos todos guias intérpretes. Sendo a ilha tradicionalmente turística, recebe visitantes regularmente desde tempos imemoriais. E nós, os ilhéus, tivemos de aprender a comunicar com eles. Assim todos nos habituámos a dar resposta àquele turista que, perdido na Rua das Mercês, perguntava pela Sé Catedral, àqueles que buscavam o mar sem saber ainda que nesta ilha, desde que se desça, vai-se sempre bater ao mar. E dar informações sumárias sobre o clima, os mirantes e miradouros, os bons restaurantes e bares, etc. Lembro-me desde sempre, no meu mais rudimentar inglês ou francês de criança, ou simplesmente através de gestos, de saber falar com turistas com a maior naturalidade. Eu e toda a gente. Quase todos arranjávamos maneira de dizer isto ou aquilo a pessoas de idioma diferente. Nascemos a comunicar com os turistas, essa é uma das nossas características. Por isso a fama de bons anfitriões, de povo simpático e afável para com os visitantes.
Desta forma nasceu na Madeira aquela que é uma das mais prestigiadas classes a nível nacional: os guias-intérpretes madeirenses. Hoje em dia esta classe está altamente profissionalizada e é considerada de grande competência. Já lá vão os tempos em que qualquer um fazia de guia, bastando para tal arranhar uma língua estrangeira e decorar meia dúzia de chavões…
Devido a esta história, e embora os guias se tenham especializado cada vez mais enquanto classe profissional, toda a gente ainda pensa que é um pouco guia-intérprete. Há muitas pessoas a fazer biscates nesta área, fora do controlo de qualidade, prestando um deficiente serviço a quem nos visita e contribuindo para uma má imagem do destino turístico. Assim, tornou-se evidente a necessidade de se identificar aqueles que estão realmente aptos a exercer, neste momento, essa função. Mais ou menos como se coloca um selo no bordado-madeira.
A diferença entre profissionalismo e amadorismo é uma constante. Na área dos guias intérpretes e não só. Nas Artes e na cultura em geral, essa pequena-grande diferença acontece a cada momento.
A sociedade evoluiu, e não se compadece com amadorismos. Neste momento temos todos de exercer funções de modo profissional, para que toda a sociedade se desenvolva de forma criativa. Os guias-intérpretes sentiram, a partir de certa altura, a necessidade de identificar os seus profissionais. É uma lição. Noutras classes em que ainda há muita confusão, seria óptimo se se conseguisse fazer a mesma coisa.

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