SARA SILVINO
Nos últimos anos, com o dinheiro dos contribuintes, o Executivo de Jardim tem construído um conjunto assinalável de igrejas
Populares auscultados pelo Tribuna são determinados: o Governo Regional deveria apostar mais na saúde e na habitação, em vez de gastar o dinheiro a construir novas igrejas. Nas suas opiniões, “quem tem fé reza em qualquer lugar”. Dentro de dias, o GR inaugura nova igreja, em Santa Cecília.
Tem sido política do Governo Regional proceder a melhoramentos em instalações paroquiais e à construção de novas igrejas. Cumprindo o programa governamental, que contempla a construção da Igreja de Santa Cecília (contrato-programa Governo Regional – Paróquia), está presentemente em curso a construção desse novo templo.
Em Junho passado, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, disse estarem previstas a construção de cinco novas igrejas na Região, todas elas acertadas com a Diocese do Funchal, entre as quais a nova Igreja do Atouguia, na Calheta, que deve estar no terreno em 2010.
Previsto, ainda, para 2010, a recuperação da Capela da Mãe de Deus e a recuperação da Casa Paroquial da Madalena do Mar. Recentemente, realizou-se a cerimónia de consagração da nova Igreja das Feiteiras, em São Vicente, cuja obra subsidiada pela secretaria regional do Equipamento Social e Transportes está avaliada em 1,5 milhões de euros.
Também é notória a construção da nova igreja de Santa Cecília, em Câmara de Lobos, cuja obra ronda os 3 milhões de euros.
O facto de a Capela do Convento ser exígua, pois não comporta mais de 150 pessoas sentadas e por não existirem infra-estruturas, nem possibilidade de construção, para dar resposta a todas as acções sociais e culturais que a paróquia desenvolve, fez com que se construísse um novo templo, cujo autor do projecto é o arquitecto Luís Jorge Santos.
Também no Arciprestado de Câmara de Lobos estão a decorrer as obras de construção da Igreja paroquial do Jardim da Serra. O projecto é do arquitecto Cunha Paredes, sendo o novo templo o culminar de uma aspiração do pároco da comunidade local, pois a actual igreja não reúne as condições consideradas necessárias para as diversas celebrações.
Apesar de Alberto João Jardim ter referido, durante um acto inaugural, que “não há milagres em política”, a verdade é que tem havido uma vontade por parte do Governo Regional de ajudar na construção e remodelação das Igrejas madeirenses.
No entanto, há quem veja isto como não sendo uma prioridade tendo em conta os tempos de crise que o país atravessa apelando para contenção de despesas rigorosa.
O Tribuna foi saber o que pensam os madeirenses da construção de igrejas quando o dinheiro falta em algumas áreas essenciais. Segundo as opiniões por nós recolhidas, a maioria acha que o dinheiro deveria ser encaminhado para as áreas da saúde e habitação.
Olívia Duarte: “Acho que o governo devia aproveitar o dinheiro para outras coisas, como por exemplo na saúde e na habitação.
Acho que deveria ser para outras coisas e não para as igrejas, porque uma pessoa que queira rezar nem que seja numa igreja velha reza ou na rua, em qualquer lugar. É muito melhor do que gastar nos campos de futebol e em igrejas. Uma igreja nova é muito bonito, mas a gente reza em qualquer lado, precisamos muito mais do que isso.”
Maria da Luz Correia: “Quem quiser rezar, reza, quem não quer não reza. Qualquer pessoa é livre de escolher. Acho que a saúde está um bocadinho má e devia haver alguma melhoria, mas vamos vivendo conforme se pode.”
José Silva: “Só vejo um inconveniente nisso. É dada uma preferência à Religião Católica, e eu sou católico, mas devia de haver uma pluralidade de critério que abrangesse as outras religiões também.
Mas o facto de estarmos em crise não impede que as coisas andem. A igreja também tem de viver com algum dinheiro e essa ajuda é boa.
Não podemos considerar isso uma interferência nem do governo na religião, nem da religião no governo.
Por exemplo, na minha opinião, a obra dos Barreiros não tem comparação possível, apesar de também ser utilizada pelo povo.
Mas sou contra a obra dos Barreiros, estou mais de acordo que ajudem as igrejas. Talvez isso possa contribuir para a paz, para a harmonia entre as pessoas.”
Manuel: “Concordo e acho que deviam melhorar mais as igrejas. Mas também deviam arranjar outras coisas, mas isto é assim.
Por exemplo, eles arranjaram a Igreja das Feiteiras, aquilo ali tinha uma capela com terraço e eles aumentaram, era preciso e ficou bom.”
Maria Alice e Fernanda Silva são irmãs e católicas, como nos fizeram questão de referir.
Disseram que gostam de ver as igrejas bonitas. “É a casa de Deus e gostamos de lá ir”, apontou a Maria Alice. “Mas acho que já temos igrejas suficientes, não há necessidade de se construir mais e grandes. Uma capela é suficiente para se rezar. Em qualquer lugar pode-se rezar”, adiantou.
Fernanda Silva concorda com a sua irmã e disse: “O governo devia aproveitar o dinheiro e melhorar a saúde. Levamos tanto tempo para conseguir uma consulta e ser atendidas. E os medicamentos são caros.”
Igreja
do Jardim da Serra inaugurada
a 15 de Novembro
O Bispo do Funchal, D. António Carrilho, vai presidir à bênção da nova Igreja paroquial do Jardim da Serra, no Estreito de Câmara de Lobos, no próximo dia 15 de Novembro. A celebração eucarística está marcada para as 10:30 horas.
O edifício da nova igreja, projecto do arquitecto João Cunha Paredes, é composto ao nível do rés-do-chão pela nave central, pela capela-mor, capela do Santíssimo, baptistério, sala confessional, sacristia, cartório, sala de flores, compartimento técnico, zona de espera do cartório, áreas de circulação e lavabo para o pároco.
No segundo piso estão previstas quatro salas para catequese e outras actividades paroquiais.
A área total do edifício é de 1.074,59m2 sendo que o piso térreo tem 863.40m2 e o segundo piso tem 211.19 m2.
O Governo Regional celebrou um contrato-programa com a paróquia do Jardim da Serra.
A Secretaria Regional do Equipamento Social participou através de uma cooperação financeira, competindo-lhe, também, analisar e aprovar quaisquer propostas de alteração ao programa de trabalhos e controlar e fiscalizar o cumprimento de todos os aspectos financeiros, técnicos e legais necessários.
|