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Autor Tópico: Cerca de 10 madeirenses estão a ser despedidos por dia
pintoaj
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Publicar Cerca de 10 madeirenses estão a ser despedidos por dia
on: 4, November , 2009, 17:17

SARA SILVINO

A Madeira possui três grandes superfícies comerciais, nomeadamente a IZI e a AKI (ambas inauguradas em 2008) e a recentemente inaugurada DeBorla (Outubro de 2009).
Todas apresentam uma vasta gama de produtos na área de decoração, bricolage, jardim, construção, etc., variando nos preços entre elas.
Quem não viu “com bons olhos” estas aberturas ao público madeirense foram os pequenos comerciantes.
Lino Abreu, presidente da Associação de Comércio e Serviços da Madeira (ACS), tem conhecimento do descontentamento dos comerciantes tradicionais.
Na sua opinião: “Acho que a Madeira já tem grandes espaços para além daqueles que é possível. Per capita, acho que já tem o dobro do que deveria. Já tínhamos grandes espaços comerciais para 1.2 milhões de pessoas. Só aqui é mais do que evidente que já temos excesso de grandes espaços comerciais.” Adiantou: “Não estão a garantir criar mais postos. Cada espaço comercial aberto ganha um posto de trabalho e põe em causa 1.7.”
Lino Abreu referiu ainda: “A abertura dos grandes espaços comerciais trazem, às vezes, algumas vantagens mas a médio e curto prazo vão surgindo grandes dissabores.”
E continua: “Há que ter em conta que se optarmos por comprar nos grandes espaços comerciais estamos a pôr em causa uma das nossas grandes armas que é a manutenção dos postos de trabalho.”
Lino Abreu referiu ao Tribuna que “a Associação, no seu devido tempo, já alertou o governo regional para a entrada dos grandes espaços comerciais na Região, atendendo a que a Madeira já tinha duas grandes superfícies comerciais”.
No seu entender: “Estamos só a deslocar clientes de um espaço para outro em detrimento do comércio tradicional, do comércio local. Porque os produtos são os mesmos apenas difere alguma coisa no preço.”
Lino Abreu insurgiu-se também contra a abertura da megaloja de produtos chineses, a abrir em Machico. “A entrada desta megaloja põe em causa o comércio local”, afirmou.
“É preciso que o Governo Regional veja o que é melhor para a Região. Se é preciso alterar a legislação, então que se altere. Temos meios para travar isso. Temos uma Assembleia Legislativa Regional para debater e actuar nesta matéria”, apontou. “É preciso ver se queremos continuar com esta entrada massiva que põe em causa o comércio tradicional, ou se queremos abrir completamente para grandes espaços comerciais. Temos é que ver qual o melhor negócio”, acrescentou.
Quanto a números, Lino Abreu apontou: “Só no mês passado foram 310 pessoas para o desemprego, 170 era na área do comércio e restauração. Estamos a despedir cerca de 10 pessoas por dia. O que é muito.”
Disse ainda: “O Governo Regional da Madeira tem de dizer o que pensa, o que quer, o que pretende com esta estratégia.
Não podemos é continuar a ter desemprego no comércio tradicional. O que se tem feito é multiplicar os espaços praticamente com os mesmos produtos.”

Falência das empresas continua a aumentar

Assustador e preocupante são os termos usados para se comentar sobre o número de desempregados que a Madeira regista actualmente.
Segundo Lino Abreu: “Até ao passado mês de Junho, o número apontava para 170 empresas que faliram. Mais 140% em relação ao mês homólogo no ano anterior. São falências decretadas na Segurança Social. É um número muito preocupante.” Continua: “Muitas empresas fecham pagando aos funcionários e não é necessário decretar falência.”
Na opinião de Lino Abreu: “O Governo Regional é que tem de tomar uma decisão. Se não temos lei fazemos a lei a favor das nossas empresas porque foram elas que pagaram impostos e, bem ou mal, garantiram postos de trabalho”, disse.
“Se alteramos a lei para muitas coisas então devia ser alterada para ajudar as empresas”, finalizou.

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