A recusa por parte de profissionais de saúde da administração desta vacina
veio atenuar a incerteza na população
SARA SILVINO
Perturbações neurológicas e alterações do sistema nervoso periférico e central são apontados como eventuais efeitos secundários da vacina.
As entidades de Saúde Pública garantem que a vacina da Gripe A é segura e recomendam a sua administração.
Os Estados Unidos recusaram a vacina e a Suíça proibiu a administração em grávidas, menores de 18 meses e idosos.
A primeira fase de vacinação contra o vírus H1N1 começou na passada segunda-feira, em Portugal, estando prevista a administração a mil pessoas com a vacina da Gripe A.
No caso da Madeira, a vacina contra a Gripe A não começou a ser administrada no início da semana, como já havia sido referido pelas entidades de saúde regionais.
A H1N1 poderá, eventualmente, começar a ser dada aos profissionais de saúde – os primeiros a tomar esta vacina – ainda no final desta semana, mais provavelmente na próxima semana.
As listas dos grupos de risco ainda estariam a ser elaboradas, nesta semana, com rigor. Factor que poderá ter contribuído para a demora da administração da vacina H1N1.
A recusa por parte de alguns profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, para tomar esta vacina tem causado alguma desconfiança por parte da pessoas e as mesmas temem tomar a referida vacina.
As entidades de Saúde Pública, nacionais e regionais, insistem em alertar a população para tomar a vacina contra a Gripe A.
Maurício Melim, Presidente do IASAÚDE, deixa a garantia de que a vacina não traz qualquer problema grave para a saúde e que deve ser tomada. O próprio dá o exemplo e afirmou que irá tomar a vacina contra a Gripe A logo que possível.
O governante diz que quem tomar a vacina sazonal deve aguardar quatro semanas e tomar a vacina contra a Gripe A.
Notícias vindas a público dando conta que os Estados Unidos da América recusaram a «Pandemrix», a vacina contra a Gripe A que está sendo administrada em Portugal, aprovada pela Organização Mundial de Saúde e escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada em todos os países membros da UE.
Em causa, está o esqualeno – uma substância que alegadamente provoca uma alteração no sistema imunitário e que alguns estudos associam ao síndroma da Guerra do Golfo.
No entanto, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) reafirmou que a vacina contra a Gripe A, administrada em Portugal, é segura e aponta que ainda não foram identificados riscos significativos por causa do esqualeno.
Segundo informações por nós recolhidas junto com algumas pessoas, o facto de alguns profissionais de saúde terem recusado tomar a vacina contra a Gripe A suscita dúvidas. “Se eles não querem tomar é porque deve ter algum problema, senão não recusavam”, comentavam. “Ainda não sei se vou tomar esta vacina. Mas acho que não”, comentava uma sexagenária.
O director-geral da Saúde, Francisco George, deu o exemplo e já tomou a vacina da Gripe A. O próprio reconheceu que a recusa de alguns profissionais de saúde em serem vacinados contra a gripe A potencia o sentido de desconfiança dos portugueses em relação à campanha de vacinação. «Não faz qualquer sentido estar contra a vacinação, até porque quem integra estes movimentos não tem motivação científica para estar contra».
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou nesta quinta-feira, em Bruxelas, que vai receber a vacina contra a gripe A, como aconselham os serviços de saúde.
A Direcção-Geral de Saúde contactou os partidos políticos com assento parlamentar para indicarem o número de elementos considerados indispensáveis ao seu funcionamento no sentido de receberem a vacina contra a gripe A (H1N1). Alguns deputados já recusaram a sua administração.
O deputado do PP, na Assembleia da República, José Manuel Rodrigues, disse ao Tribuna que pretende tomar esta vacina.
“Os serviços da Assembleia da República questionaram-me sobre isso. Respondi que queria ser vacinado apesar de nunca o ter feito em relação à gripe sazonal”, disse.
No entanto, toda a atenção é pouca. “Mas a verdade é que «cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém». Espero que a vacina da gripe A também não. Depois de saber que alguns profissionais de saúde recusaram a vacina é evidente que tenho alguns receios. Mas, também, é verdade é que a maioria aconselha a sua administração. Resta confiar na Organização Mundial de Saúde e nos seus conselhos”, afirmou.
“Não deve haver alarmismo”
Paulo Sousa, director técnico da Farmácia de Santo António, garantiu ao Tribuna que pretende tomar a vacina contra a Gripe A.
O mesmo lamenta as informações vindas a público em redor da vacina as quais, na sua opinião, só confundem mais as pessoas.
“É primeira vez, a nível mundial, que estando perante uma pandemia e temos uma vacina contra ela. Parece-me disparatado que tendo uma vacina contra uma doença não a utilizarmos”, referiu.
Paulo Sousa disse ainda que sendo a primeira vez que estamos perante uma gripe tão mediática, é natural que as pessoas fiquem apreensivas.
Quanto à recusa dos EUA desta vacina, comentou: “O esqualeno é um composto que potencia a resposta do nosso sistema imune. Os Estados Unidos recusaram esta vacina porque não têm dados sobre este composto e foi essa argumentação que utilizaram.”
O mesmo referiu que se a Agência Europeia do Medicamento não iria autorizar a distribuição de 140 milhões de medicamentos se não tivesse a certeza de uma garantia de eficácia sobre esta matéria. “Julgo que as pessoas que estão nisto não estão a brincar, e são responsáveis que sabem que as relações entre factor/risco são favoráveis.
Por isso, parece-me falta de bom senso fazer comentários avulsos sobre esta vacina”, afirmou Paulo Sousa.
Paulo Sousa recomenda também aos idosos a vacina sazonal e aconselha: “Fundamentalmente, que confiem no seu médico de família. Não devemos ter alarmismo, devemos ter uma preocupação informada. Deve-se acompanhar todas as informações, ouvir as recomendações do Dr. Maurício Melim, no caso da Região, e da Ministra da Saúde. Se há instruções para que deve ser administrada a vacina desta gripe, na minha opinião pessoal e profissional, as pessoas não devem temer e devem administrar a vacina.
Se tiverem dúvidas, perguntem ao médico de confiança.” l
Segundo o semanário Der Spiegel a Chefe de Estado Angela Merkel, restantes membros do governo e funcionários dos Ministérios receberiam uma vacina contra a gripe A (H1N1) diferente da vacina destinada à população.
Trata-se de uma vacina dos laboratórios norte-americanos Baxter, sem aditivos, que foi também encomendada pelo exército para ser facultada aos soldados em missão no estrangeiro.
O governo alemão já veio desmentir essa informação.
A Swissmedic (autoridade que regula o sector dos medicamentos na Suíça) emitiu, esta sexta-feira, um comunicado, onde proíbe a utilização da vacina Pandemrix – a mesma utilizada em Portugal – em grávidas, crianças com menos de 18 meses e adultos com mais de 60 anos.
Na base da decisão da Swissmedic está a incerteza quanto aos efeitos do uso do adjuvante AS03, utilizado para a Pandemrix.
Em alternativa, a Swissmedic autorizou a utilização da vacina Focetria, do laboratório suíço Novartis, que contém «o adjuvante MF59, utilizado há muito tempo em vacinas contra a gripe sazonal».
Últimas mortes registadas em Portugal
Adriano Aragão, com 10 anos de idade, morreu, na passada quarta-feira, no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa.
Estava infectado com o vírus H1N1 e com uma doença cardíaca que só a autópsia revelou. A morte ocorreu cerca de 72 horas após o aparecimento dos primeiros sintomas gripais.
Ainda nesta semana, um homem de 50 anos que sofria de doença crónica também não resistiu à infecção pelo H1N1 no Hospital de Ponta Delgada, Açores, tornando-se a quinta vítima mortal da gripe A em Portugal.
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