Bem-te-quero e malmequeres‏

E daqui a uns 100 anos quando, pelas carteiras das universidades do mundo onde se estuda a língua de Camões, de Pessoa, de Eça e Saramago, os professores e alunos se debruçarem sobre a problemática da literatura desenvolvida na Madeira algures entre 2000 e 2050…chegarão a interessantes conclusões como a de a mesma ter sido praticada por seres egoístas, por outros esquizofrénicos, por alguns que se assumiram como homicidas do estilo, por outros que chamavam a si a sumidade da literatura duvidosamente regional, por outras ainda que eram as oportunistas de serviço, as madames que adulteravam concursos literários, as desinteressantes e monótonas que ensonavam as plateias, os cobardes que davam palmadinhas nas costas e atraiçoavam a dois metros de distância.
Constatarão que algumas tertúlias literárias, ou jantares à volta das palavras, nada mais eram do que circos montados para vedetismos próprios, para algazarras vocais ou para oportunismos baratos.
Chegarão à conclusão que uma ou outra editora nada mais eram do que flops que acabariam por entrar em insolvência. Chegarão à conclusão de que a palavra “crítico” era uma figura de estilo triste e enjeitada, eleita por gentinha literária que nada mais procurava do que o elitismo, o separatismo, a falsa qualidade por amor a um umbigo exacerbado e a um lobby dedicado.
E concluirão que, apesar de todo este dantesco cenário, ainda havia gente humilde que praticava o mister da escrita. Havia os que sabiam declamar, os que sabiam dizê-la (à poesia), os que eram altruístas, democratas na forma de observar a literatura e abri-lhe as portas para os que, de outra forma, jamais teriam oportunidade de tirar da gaveta o seu trabalho.
Que havia gente boa, inteligente, saudável, companheira e verdadeiramente amiga.
Em algum momento os poetas e escritores, naquela primeira metade do século XXI, se reuniram em prol das letras e da arte que as compõe e desconstrói? Em algum momento abdicaram da sua postura egocêntrica e absurdamente elitista? Em algum momento se abraçaram e juraram fidelidade à causa das palavras?
Em muito poucos momentos. Em momentos reconhecidamente efémeros…
Porque a inveja, o ciúme e sede de protagonismo de alguns, foi sempre a tortura, a perdição e o afundamento de outros tantos.
Mas no final de contas, concluirão todos os debruçados sobre a problemática da literatura parida na Madeira entre 2000 e 2050, até havia os que sabiam tratá-la (à literatura). Essa é uma passagem que a História guardará sentida e zelosamente nos seus anais.

 

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

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