Bem-te-quero e malmequeres‏

O mundo confortável em que nos instalámos nas últimas décadas…finou-se!

Prestem-lhes as (in)devidas exéquias, façam o luto e recomecem do zero porque a abastança a que determinadas pessoas se habituaram, afinal nada mais era do que uma ilusão vivida em cor-de-rosa e que, de um momento para o outro, se transformou numa nuvem cinzenta e pesadona que por cá irá ficar durante alguns aninhos…
Por cá, por alguns países europeus e mais uma série deles mundo fora.
Mas foquemo-nos na realidade portuguesa, a tal que num pós golpe de estado ocorrido em 74, se vê preenchida por uma catrefada de novos-ricos que de ricos nunca nada tiveram e de novo tudo passaram a ter: a moto de alta cilindrada, o carrinho de luxo, a casa grandalhona, os quadros nas paredes, os plasmas 250 x 200, as férias em resorts de luxo, as lautas jantaradas lá em casa para agonizar os amigos com a sua riqueza, a mobília estilosa, a roupa da moda, a peça de cerâmica do escultor celebrado, o barco na marina e blábláblá, num rol cansativo e medonho de tanta abundância.
Só que, salvo as raríssimas excepções, esta nova forma de vida nada mais era do que uma forma adulterada, corrompida e equivocada porque, e chamemos as coisas pelos nomes, essa gente nunca deixou de ser pobretana, deseducada, deselegante e…falsa, na sua aparência de novos-ricos.
As pessoas passaram a fazer vida com dinheiro do empréstimo bancário. Passaram a comer à conta do banco, a vestir à conta do banco, a viajar à conta do banco, a iludir-se à conta do banco e de um dinheiro que nunca foi seu e que lá iam pagando religiosa e mensalmente para um dia, muito mais tarde no Tempo, poderem assumir-se enquanto proprietários do que foram adquirindo com dinheiro dos outros.
Temos 2012 à porta. Dizem os que sabem (ou que são pagos para dizer), que o desemprego vai aumentar, que o endividamento (familiar, empresarial, nacional) vai aumentar, que o buraco vai aumentar, que a pobreza vai aumentar.
Exactamente! Entrámos numa nova era: a dos novos-pobres.
Por isso, e para os que cá andaram durante anos a viver à pala do alheio, recomendo vivamente que se façam à vida, que batam no fundo e reaprendam a trepar. E a viver com o que sempre tiveram: quase nada.
Porque agora, e doravante, jamais nada será como dantes.
(atenção às amigas sorridentes que pedem empréstimos, aos amigos “de sempre” que pedem uma ajudinha que “pago para a semana que vem”, e para as que, mais do que nunca, passarão a fazer da sua forma de estar, um ofício de hipocrisia, falsidade e amiganço oportunista).

António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia.

[twitter style=”vertical” float=”left”] [fblike style=”standard” showfaces=”false” width=”450″ verb=”like” font=”arial”] [fbshare type=”button”]


PUB