Vamos emigrar todos?

Se, em linguagem cinematográfica, há países que não são para velhos, o nosso parece não servir senão os que circulam com carta branca nos palácios do poder.

Por cá, enquanto encerram empresas, crescem as fileiras de desempregados, aumentam impostos, transportes e tudo o que se paga e se cortam salários, o parlamento regional continua a atribuir benesses e obscenas verbas aos partidos. Para os maus exemplos, para a mediocridade crescente e para a quase inutilidade do trabalho realizado, os Madeirenses gastam demasiado com esta Assembleia Legislativa.

Alguns empresários, bem conhecedores da economia e da situação financeira regional, realizaram atempadamente aquilo a que chamaram de internacionalização das suas empresas. Souberam investir no bom tempo, nos passos certos, na boa direção do vento e aproveitaram tudo o que puderam. Uns constroem estradas e outras infraestruturas África dentro, com as mesmas técnicas que por aqui usaram, principalmente nas relações com os senhores do poder. Outros abrem hotéis em tudo o que é canto. Ainda há aqueles que andam pelos Açores enquanto é tempo e montam escritórios no Dubai, impossibilitados de sonharem negócios com a Venezuela ou com outros países amigos. Absorveram os dinheiros da Europa, tudo o que ela podia dispor em seus variados programas de auxílio, aproveitaram os investimentos públicos, e agora toca a investir no estrangeiro, passados os tempos em que do Leste e de África vinha para cá a mão-de-obra barata.

Aos empregados, entretanto, só lhes resta sair da terra, como o dinheiro. Fazem-no preferencialmente os mais jovens, cada vez em maior número, seguindo as pisadas dos seus avós. Mas se estes o faziam por necessidade própria, sem motivação extrínseca, agora são os próprios governantes deste país que é para só para meia dúzia a convidar os jovens a emigrarem.

Não é de agora que se ouve dizer que a União Europeia passou a ser um espaço comum e que, portanto, os nossos jovens devem olhar para a Europa e não apenas para o seu torrão natal, no momento em que procuram trabalho, mas torna-se chocante ouvir um secretário de Estado e agora o Primeiro-ministro, ele mesmo, convidando os jovens a saírem do País.

Mais do que estranho, o apelo à emigração é chocante e surge como um atestado público da incapacidade dos governantes na criação de uma esperança para o seu povo, ténue que seja. Ao que chegamos…

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