A escolha das concessivas

O treinador adjunto do Nacional afirmou, no final do jogo em que empatou, este domingo, com o Olhanense, que  marcar quatro golos e não ganhar não é agradável.

Bem poderia o técnico nacionalista ter escolhido a afirmação de que embora o Nacional tenha sofrido quatro golos, não perder é agradável. A realidade não mudou, a perspetiva sim. Sobre esta, gozando como as lagartixas este eterno verão, pensei em como, ainda que a crise nos esvazie os bolsos em progressivo assalto, os madeirenses se podem dar ao luxo gratuito de sentir durante tantos meses as carícias solares, mergulhando nas águas do mar ou simplesmente ouvindo este espraiar-se calhau dentro em sua natural cadência. Porém recordei a irritação de um amigo quando um indivíduo da situação o aconselhou a não valorizar as questões políticas regionais e a gozar o sol, o mar, as montanhas e tudo o que esta terra possui de bom. Para o meu amigo da oposição, apesar da qualidade de vida que esta ilha oferece, tudo poderia ser ainda mais agradável se os madeirenses vivessem numa democracia melhor e com mais justiça social.

Então coloquei a concessiva do outro lado: ainda que os madeirenses se possam dar ao luxo gratuito de sentir durante tantos meses as carícias solares, mergulhando nas águas do mar ou simplesmente ouvindo este espraiar-se calhau dentro em sua natural cadência, a crise que nos esvazia os bolsos em progressivo assalto preocupa-nos e revolta-nos, porque percebemos que os responsáveis pela desgraça social que se avizinha sairão impunes e quiçá premiados.

Fiz como o treinador adjunto do Nacional e mudei a perspectiva, enquanto gozava o sol como as lagartixas.

[twitter style=”vertical” float=”left”] [fblike style=”standard” showfaces=”false” width=”450″ verb=”like” font=”arial”] [fbshare type=”button”]

Pin It on Pinterest