Débitos diretos são o meio de pagamento mais barato para os consumidores

O Banco de Portugal publicou o Estudo sobre os custos sociais dos instrumentos de pagamento de retalho em Portugal relativo a 2013. Pela primeira vez, detalha os custos suportados pelos consumidores, identifica o valor de pagamento a partir do qual a utilização de cada instrumento de pagamento é mais vantajosa para a sociedade e estima a redução de custos que pode ser obtida em Portugal com a substituição dos instrumentos de pagamento mais dispendiosos.

Principais resultados:

Em 2013, os instrumentos de pagamento custaram à sociedade portuguesa 1,61% do PIB

Os custos suportados pela sociedade portuguesa com a utilização dos instrumentos de pagamento de retalho ascenderam a 2694,9 milhões de euros, ou seja, 1,61% do produto interno bruto (PIB) em 2013. Estes custos foram suportados em partes praticamente idênticas pelos bancos, comerciantes e consumidores.

Débitos diretos são o meio de pagamento mais barato para os consumidores; cheques são o mais caro

Os custos privados dos consumidores com a utilização dos instrumentos de pagamento em Portugal ascenderam a 1139 milhões de euros (0,67% do PIB). As notas e as moedas foram o instrumento de pagamento mais utilizado e, portanto, aquele que acarretou, em termos absolutos, mais custos para os consumidores: 774 milhões de euros. Os custos dos consumidores correspondem ao tempo necessário para efetuar o pagamento e às comissões pagas aos bancos.

Os débitos diretos foram o instrumento de pagamento com menor custo unitário por transação para os consumidores (3 cêntimos por pagamento), seguidos dos cartões de débito (20 cêntimos) e do numerário (24 cêntimos). As transferências a crédito apresentaram um custo unitário de 61 cêntimos e o cartão de crédito de 85 cêntimos por pagamento. Os cheques, com um custo de 2,05 euros por pagamento, foram o instrumento com o maior custo unitário para os consumidores.

Os custos dos bancos com os instrumentos de pagamento superaram os proveitos

Os custos privados suportados pelos bancos com os instrumentos de pagamento em 2013 foram estimados em 883,4 milhões de euros (0,53% do PIB); os proveitos foram avaliados em 627,2 milhões de euros, o que resulta numa taxa de cobertura de 71 por cento. Para a banca, os cartões de débito e os cheques são os únicos instrumentos de pagamento cujos proveitos gerados cobriram os custos suportados com a sua utilização (130 por cento e 100 por cento, respetivamente). O numerário originou um custo líquido de 239,4 milhões de euros para os bancos em 2013, com os proveitos a cobrir apenas 5 por cento dos custos suportados. Nos cartões de crédito (avaliados exclusivamente na sua função de pagamento e não na função de concessão de crédito), transferências e débitos diretos, os proveitos obtidos pelo setor também não compensaram os custos, estimando-se graus de cobertura de 81 por cento, 52 por cento e 84 por cento, respetivamente.

Cartão de débito, na perspetiva dos custos, é sempre mais vantajoso nos pagamentos acima de 1,89 euros

Na perspetiva dos custos, o cartão de débito revelou-se mais eficiente para a sociedade do que o numerário para efetuar pagamentos nos pontos de venda (50 cêntimos por transação versus 53 cêntimos). O numerário é o instrumento menos dispendioso para pagamentos abaixo de 1,89 euros; acima deste valor, o cartão de débito é sempre menos custoso para a sociedade. Os instrumentos com maiores custos unitários são o cheque e o cartão de crédito, que custam à sociedade 2,45 euros e 2,20 euros por pagamento, respetivamente.

 

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