Emprestem-me um megafone

Este é o primeiro texto para o “Cidade” eletrónico, o que me provoca profunda nostalgia. Nunca deixei de ler os meus artigos no jornal impresso, ainda que os tenha revisto variadas vezes em frente de um computador ou mesmo em papel de cópia.

Interessado na vida pública e nos conteúdos publicados, vejo frequentemente, logo pela manhã, os títulos de muitos jornais, pela internet, e chego a ler alguns comentários e artigos interessantes. No entanto, frequentemente releio as mesmas palavras, horas depois, sujando os dedos na tinta impressa. Hábitos velhos…

Ainda nesta segunda-feira um leitor de algumas crónicas lamentava o desaparecimento do “Diário Cidade”. Informei-o das alterações práticas, mas da minha continuidade no novo formato. O homem fez um trejeito, como quem diz: mas não é a mesma coisa.

Ganhei o hábito de dizer o que penso pela forma escrita, desde pequeno, sob diversas formas, desde o diário à crónica, passando pela prosa literária e pela poesia. Tudo continuará a ser aparentemente igual, o que fica distinto é o modo de leitura, aparentemente, insisto.

Aprendi a construir o mundo pelo papel e nele encontrei os mais loucos sonhos, as mais ousadas viagens e os mais terríveis gritos. Nele encontrei as guerras e as doces palavras de amor e paz.

Hoje, mais do que nunca, a palavra torna-se essencial para a reconstrução de um mundo que, fragmentado, se dissolve. Hoje é preciso juntar as vozes em clamor. É necessário cantar, gritar, falar, escrever poemas e palavras de ordem. Se não me permitem um cartão onde inscrever o que sinto, emprestem-me então um megafone!

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