Cultura madeirense

José Tolentino Mendonça foi nomeado, pelo papa Bento XVI, consultor do Conselho Pontifício da Cultura, organismo do Vaticano. Esta nomeação realça a dimensão cultural deste padre madeirense, natural de Machico, um dos maiores poetas portugueses da atualidade.

Para além de notável biblista e professor da Universidade Católica, o responsável pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura possui uma obra literária de qualidade invulgar, onde religião e humanismo se exprimem em profunda mas luminosa poesia.

Este poeta, que disse, no poema “Poética”, em De igual para igual, que

Sobre a terra sem nenhum rumor

um verso é sempre tão pouco

em redor do que se pode observar

é o mesmo que escrevera em Os dias contados, o terceto “Final”

O silêncio é a partilha

do furtivo

lume

ou, no poema “Para ler aos noviços”, de O viajante sem sono, esta primeira estrofe:

Deus não aparece no poema

apenas escutamos a sua voz de cinza

e assistimos sem compreender

a escuras perícias

Reconhecido no panorama cultural europeu, José Tolentino Mendonça é mais um grande poeta madeirense, na esteira dos consagrados Herberto Helder e José Agostinho Baptista, que se alcandorou ao espaço onde se encontram os eternos Edmundo de Bettencourt e Cabral do Nascimento.

Se é verdade que os Açores têm projetado grandes nomes da Literatura portuguesa, estejamos cientes de que, principalmente na Poesia, a Madeira pode orgulhar-se de, nos últimos cinquenta anos, ter visto nascer alguns dos maiores autores da Literatura lusitana.

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