Autonomia dos homens livres

O Congresso do PS-Madeira, que decorreu no último fim de semana, consagrou Victor Freitas como novo presidente dos socialistas madeirenses.

Sou favorável à eleição direta dos líderes partidários, pela qual pugnei quando fui cossignatário, no final dos anos 90, de uma proposta de alteração estatutária que incluía, além da eleição direta do presidente do PS-Madeira, o fim das inerências para o congresso, a limitação de mandatos para todos os cargos internos e de representação política (como o lugar de deputado ou de vereador) e as primárias internas para a apresentação de candidaturas à Assembleia da República, à Assembleia Legislativa da Madeira ou às câmaras municipais.

Dessas propostas inovadoras no País e que visavam um aprofundamento da democraticidade da vida partidária, cujo principal autor foi João Carlos Gouveia, um anterior presidente do PS-Madeira e atual vereador da Câmara Municipal de São Vicente, para além de as inerências terem sido reduzidas quase ao mínimo, só a proposta de eleição direta do presidente foi aceite pela organização. Apesar de ser uma vitória da democracia, a verdade é que os congressos perderam muita dinâmica e quase se tornaram um ritual de entronização, já que a liderança se encontra escolhida à partida.

Do recente congresso socialista quero realçar, porém, a qualidade e a acutilância política das intervenções dos diversos delegados e independentes que usaram da palavra. Destaco ainda a evidência de um espírito de responsabilidade e de compromisso com objetivos comuns, que não se assemelhou aos velhos momentos de paz podre e pode anunciar um profundo empenho na procura de alternativas credíveis para os momentos difíceis por que os Madeirenses vão passando.

Porque um diário regional se referiu à intervenção deste modesto escriba como um momento significativo de crítica interna, esclareço que o fundamental da minha mensagem foi a constatação de que “a monstruosa dívida regional mostra não só o fracasso de um regime instaurado há 35 anos, mas também que a Autonomia de traje separatista se fundamentou unicamente na reivindicação financeira”. Quanto às críticas, acusei o facto de o PS ter aprovado, em tempos, o atual Estatuto Político-Administrativo “que tanto tem manietado a intervenção política da Oposição regional e justificado políticas que beneficiam aquilo que o próprio presidente do Governo Regional considera a “máfia no bom sentido”.

Dizia o jornalista de serviço que eu manifestara descontentamento pelas cores usadas na sala do Congresso, quando me referia essencialmente à cor azul com que pintaram a sigla socialista e à minha crença de que, dada a morte da autonomia a que a governação laranja nos conduziu, os panos brancos em fundo encobriam a informação que se destaparia no domingo e onde deveria estar: Por uma novaAutonomia: a Autonomia dos Homens Livres.

O que eu disse tem a importância que lhe quiserem atribuir. Por mim, quero destacar uma nova liderança, que depende fundamentalmente do apoio que os socialistas lhe derem, mas principalmente das mensagens de verdade e de esperança que Victor Freitas souber oferecer aos Madeirenses, afastando-se de discursos demagógicos e da “politiquice”. Acima de tudo, há que respeitar os cidadãos em geral e os contribuintes em particular.

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