Trabalhadores alheados da concertação social

Medidas vão recair sobretudo sobre os trabalhadores, mas poucos sabem o que os espera.

O Governo da República chegou a acordo com os parceiros sociais, com excepção para a central sindical CGTP, para a implementação de novas medidas laborais.

Mas os trabalhadores, regra geral, estão alheados daquilo que aí vem, como seja a redução nos dias de férias e nos feriados, o banco de horas, a redução dos subsídios ou o corte nas indemnizações.

Nélia Ribeiro trabalha no sector da hotelaria e vê com alguma apreensão as medidas agora implementadas. “Mas se tiver de ser, o que podemos nós fazer”, diz, em tom resignado, sabendo que a Região Autónoma da Madeira vive uma situação social e económica preocupante.

Uma ideia partilhada pelo empresário João Sousa, que não concorda que as ideias apresentadas, tal como referem os sindicatos, prejudiquem apenas os trabalhadores. “Neste contexto actual estamos todos a perder. Nota-se uma diminuição do poder de compra e se as empresas não vendem, não têm sucesso, pouca coisa podem fazer pelos seus funcionários”.

No seu caso em concreto, uma área que comercializa artigos para bicicletas e motos, vê as vendas a diminuírem. “E com os novos impostos que serão aplicados, como o imposto de circulação, as coisas vão piorar”.

E é por tudo isto que as pessoas, contactadas pelo Cidade Net, esperam que toda a austeridade que aí vem possa ter reflexos no futuro do país e da Região. Porque, caso contrário, “todos os sacrifícios terão sido em vão”.

Maria Camacho está no desemprego e as perspectivas de regressar ao mercado de trabalho não são muitas. Na Madeira contam-se já 19 mil desempregados. “Dizem que vão diminuir o subsídio de desemprego, mas onde é que vamos encontrar trabalho. As pessoas não vão para o desemprego porque querem”.

Ligada ao mercado dos artigos regionais, confessa que “já nem os turistas ajudavam às vendas. Tudo o que não seja indispensável, não vende, porque as famílias têm outras prioridades”.

Muitas das medidas recentemente apresentadas entram em vigor apenas em 2013, mas outras serão aplicadas de forma faseada ao longo deste ano ou por acordo mútuo entre o empregador e o trabalhador.

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