‘Vindima’ com forte carga neorrealista

O romance de Miguel Torga apresenta as “vertentes neorrealistas mais puras” da literatura portuguesa, a par de Alves Redol e de outros escritores neorrealistas.

Quem o afirma é Ana Margarida Falcão, oradora de uma conferência promovida, esta tarde, pelo Setor de Professores Aposentados do Sindicato de Professores da Madeira.

“Na minha pesquisa, encontrei também no Diário de Torga uma referência à escrita do romance, nomeadamente ele a queixar-se que o romance estava a demorar muito tempo a ser escrito e que era o primeiro e último que escrevia porque dava muito trabalho. Realmente, que eu saiba, a ‘Vindima’ é o único romance escrito por Miguel Torga”, contou Ana Margarida Falcão.

Aquela responsável destacou, ainda, que a “Vindima” foi uma “experiência muito bem sucedida” do autor. “Normalmente, não se associa o Miguel Torga aos movimentos políticos que estão ligados ao neorrealismo. De maneira que não se associa o romance ‘Vindimas’ aos romances neorrealistas”, transmitiu.

Refira-se que, o único romance de Torga conta a história de um grupo de trabalhadores que são contratados para fazer uma vindima. “O livro pega, assim, na temática dos romances neorrealistas, designadamente toda a miséria na qual são colocados os trabalhadores e depois à parte o território senhorial, com o capataz a servir de intermediário”, observou Margarida Falcão.

Outra curiosidade da “Vindima” é o facto de haver uma personagem, a Catarina Sofia, que Miguel Torga baseou na Sofia de Melo Breyner. “Não é muito conhecido que foi o Torga que impulsionou Sofia a publicar o seu primeiro livro”, concluiu a oradora.

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