“Angela Merkel julga que o tempo lhe pertence”

A afirmação é do professor Viriato Soromanho Marques e foi proferida esta tarde, no Funchal.

“Angela Merkel julga que o tempo lhe pertence”. A afirmação é do professor Viriato Soromanho Marques, e foi feita esta tarde, à margem do encerramento da IV Conferência Internacional do Funchal.

Na ocasião, o coordenador científico da conferência, que se realiza desde 2008, no Funchal, comentava à declaração feita, esta manhã, pela chanceler Angela Merkel, na qual, dizia que a Europa só superará a crise das dívidas soberanas daqui a 10 anos.

Viriato Soromanho Marques disse que “a senhora Merkel julga que o tempo lhe pertence, mas ela não domina o tempo, o tempo não pertence nem à senhora Merkel nem aos homens, sobretudo quando tomam decisões erradas”, observou, acrescentado que a Europa está actualmente numa encruzilhada que deve ser resolvida nos próximos meses e não em dez anos.

O professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa defendeu que, neste momento, a Europa tem duas opções ou “é capaz de se compreender como uma comunidade de destino, compreender que aquilo que a divide, neste momento, é muito menos que todos os desafios que ela deve enfrentar em conjunto, num mundo cada vez mais incerto e inseguro, e dá o salto para a sua unidade, ou continua fechada nos seus dogmatismos e corre o risco de ter um recuo histórico de décadas”, alertou.

Soromanho Marques considera que este período de incertezas que a Europa atravessa tem de ser aproveitado para dar o salto, isto é, os dirigentes políticos têm de construir “um modelo político federal que é o que falta. Temos uma moeda única, mas não temos uma união política, uma união fiscal, nem um orçamento, nem uma governação económica, ou damos esse passo, ou vamos para o abismo e a Europa será apenas aquilo que é, geograficamente, uma península da Ásia”.

Sobre as temáticas versadas, no segundo dia de conferência, Viriato Soromanho Marques considera que tanto alocução de Júlio Machado Vaz, sobre o futuro da medicina, como a de Gilles Lipovetsky que falou sobre o individualismo e o consumo, tem de ser reflectidas e aplicadas no momento em que vivemos.

“Estamos a atravessar um período de grande turbulência que nos obriga a fazer um esforço colectivo para repensar a forma como diagnosticamos o mundo e como o avaliamos. Precisamos de pensar, ou seja, temos de passar das formas repetidas, dos modelos teóricos muito ideológicos, de cartilhas de pensamento esgotadas para reinventar o pensar”, concluiu.

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