Estranho caminho

Na Madeira, começa-se a sentir verdadeiramente o resultado de uma confluência de erros de más governações: no País, onde principalmente os dois partidos do centro desbastaram abundantes meios financeiros colocados à sua disposição, e na Região, em que os governos de um único partido, sob o comando de um só homem, gastaram o que regatearam e o que inventaram como se não houvesse amanhã, ou como se o saco não tivesse fundo, ou como se as mesmas estratégias dessem resultados semelhantes até à eternidade.

E então a que assistimos? Enquanto os partidários do antigo governo nacional vão gritando que o governo vai além da troika, como se os socialistas não fossem também responsáveis pelo estado a que isto chegou, os situacionistas “laranja”, fingindo que nada têm a ver com o governo que ajudaram a eleger, desatam a atacá-lo que não é brincadeira. Olhemos para o seu órgão diário: todos os colunistas escrevem sobre um único tema: os responsáveis pela crise são os “medíocres” Merkel e Sarkozy, ou então esses neo-liberais do PSD de Lisboa. E não há outro tema nem assunto que interesse. Para tudo ser tragicómico, inventam uns imaginados leitores que escrevem o mesmo sobre o mesmo, em ladainha enjoativa, como se agora não houvesse mesmo poder autonómico nem responsabilidades insulares nesta catástrofe a que conduziram as ilhas de Zarco.

Vão conseguindo os seus desígnios, entre decadentes oposicionistas locais, que, em uníssono, como convém, também vão debitando a mesma cantilena do Passos contra a Madeira e da Madeira contra Lisboa e de que a culpa é sempre dos outros, esquecendo rapidamente as críticas construídas ao longo de décadas. No fundo, criam-se as condições para que as avezinhas do costume venham novamente gritar independências ou separatismos, na senda das famosas autonomias totais ou das bombas de antanho.

É verdadeiramente triste que, sempre que se quer mais dinheiro, se grite e ameace, em impudico desnudamento de mesquinhas intenções, mais adequadas ao comportamento das meretrizes.

Caminham estes políticos ao lado de certos jornalistas e comentadores que, armados em estelares figuras, catalogam de menores (como se eles fossem excelentes e excelsos) os que não lhes querem pagar mais a mediocridade, a ignorância, o despesismo, o clientelismo, o nepotismo e tantos outros ismos de enganar o povo e manter o poder.

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