Pingue-pongue

Tem sido cada vez mais evidente uma disputa entre os principais partidos da oposição regional, a agirem numa espécie de jogo de pingue-pongue que só beneficia os ocupantes do poder.

Enquanto o PS governou na República, o CDS-Madeira não só criticava o Governo Regional do PSD mas também os socialistas em geral, dificultando a actuação política destes. Agora, afastado da governação, o PS joga no mesmo lado da mesa onde antes estiveram o CDS, atacando a governação regional mas também os democratas cristãos pela sua coligação com o PSD na República.

Se antes eram os socialistas madeirenses a se queixarem que o CDS, ao atacá-los, retirava força à possível alternativa, hoje os democratas cristãos madeirenses provam do mesmo veneno que antes aplicaram. Os cidadãos expetantes de uma alternativa democrática olham com desânimo este pingue-pongue que não credibiliza ninguém, antes mostrando uma infantilidade política que não augura nada de bom.

A política não pode dar-se a estes jogos, porque implica profundamente com a vida das pessoas, como é cada vez mais evidente. Os trabalhadores da Zona Franca da Madeira sentem na pele como não beneficiam com políticos que defendem posições diferentes conforme o seu partido está no poder ou na oposição. A sua presença no cortejo Trapalhão representa uma denúncia, mais que uma chamada de atenção para o desemprego que lhes é anunciado pela pronunciada fuga de empresas para Caimão e outras zonas de benefícios fiscais.

O PS-Madeira exige agora que o governo de Passos Coelho retome negociações com a União Europeia, não tendo sido porém tão crítico quando o Governo de José Sócrates decidiu não negociar um regime mais favorável para a praça madeirense. Na altura, principalmente através do seu atual líder parlamentar, o PS-Madeira gastava energias na denúncia do planeamento fiscal (que, se não é feito no CINM, se faz em Caimão, na Holanda ou noutro lado) e na crítica ao número de empregos criados (que eram 1.500 diretamente e 1.500 indiretamente, segundo dados da SDM). Os mascarados do Trapalhão provaram que existiam de facto e que não eram fantasmas. Mas se alguém tem dúvidas da mudança de atitude em função do tempo e das circunstâncias governamentais, recordemos uma passagem de um discurso do atual líder parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira, em 15/12/2010, quando criticava o PSD pela sua “exótica proposta para reatar as negociações da Zona Franca, pedindo mais benefícios fiscais mas aligeirando o critério de criação de emprego, numa atitude ainda por explicar aos madeirenses que, com certeza, querem uma zona franca com empresas e com emprego e não com caixas de correio e planeamento fiscal”.

Como se verifica, ao contrário do que defende agora, o líder parlamentar do PS-Madeira considerou exótica a proposta de negociações, quando o governo da República era socialista. Exigia mais empregos, quando deveria, dadas as circunstâncias, se ter empenhado na defesa dos existentes, como bem lembrava uma militante socialista e profissional do CINM, que sabia bem as nuvens negras que se desenhavam para o seu emprego.

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