Independentes ou flores de lapela?

Os últimos dias têm proporcionado bastos motivos de estranheza a quem segue a vida política regional e está atento às atividades partidárias.

O PS-Madeira, na peugada do que realiza o Partido Socialista a nível nacional, criou o seu Laboratório de Ideias, para o qual convidou entidades e cidadãos diversos, entre os quais incluiu não-militantes, como candidatos recentes à Assembleia Legislativa da Madeira pelo PS, mas também quem chegou a ser eleito por outros partidos e quem veio da área do poder ou do descomprometimento partidário.

Esta iniciativa pouco tem de inovadora, pois surge como um sucedâneo dos “Estados Gerais” de António Guterres, e das “Novas Fronteiras” de José Sócrates, e até do movimento “Mais Sociedade” do PSD. Estes encontros muito abertos aos independentes são geralmente promovidos quando os partidos se encontram na oposição e, ainda que se possa encontrarem-se virtualidades numa proclamada abertura à sociedade, valha a verdade que nas circunstâncias conhecidas em que os partidos assumiram o poder, os independentes cooptados para a governação tiveram muitas dificuldades de sobrevivência face aos aparelhos partidários.

Se uma permanente busca de aperfeiçoamento pode levar-nos à ilusão de que desta vez tudo poderá ser melhor na relação entre os independentes e os socialistas locais, a atitude de alguns dos seus responsáveis transmite-nos elevada dose de ceticismo.

Para além de a “abertura à sociedade” refletir o reconhecimento da distância entre alguns interesses individuais ou de grupo que os partidos defendem e os interesses gerais “da sociedade”, alguns socialistas vêm demonstrando um paradoxal temor face ao surgimento de movimentos de cidadania criados recentemente e em relação a algumas vozes a quebrar consensos que não são próprios de partidos que se querem abrir à “sociedade”.

A renúncia à participação no Laboratório de Ideias por parte de dois cidadãos que não são considerados próximos do PS levou ao queixume crítico e mesmo a interrogações retóricas aos ausentes, acerca do medo e da sua coluna vertebral.

Do episódio, percebi que os responsáveis pelo Laboratório de Ideias foram a correr a um jornal dar a informação de que tinham dois colaboradores da área do PSD, sem antes pedir licença para que os nomes dos convidados fossem publicamente conhecidos. Estes convidados sentiram que estavam a ser utilizados como flor na lapela ou, pior ainda, como arma de arremesso política. Sentiram-se usados.

Entre a desconfiança em relação aos movimentos de cidadãos e a velocidade com que se colocam os troféus nas parangonas dos jornais existe uma linha comum de desrespeito pelos outros, como se pode ver pela reação de um dos responsáveis pelo Laboratório de Ideias, ao perguntar, com lamentável azedume, se o próximo peditório da Cáritas seria à porta fechada. Uma afirmação que deveria levar a um pedido de desculpas por parte do presidente do PS e da Coordenadora do Gabinete de Ideias.

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