A pancada

Depois da assinatura do Programa de Ajustamento Financeiro em que a Região foi obrigada após mais de três décadas de governação a hipotecar um futuro que repentinamente nos bateu à porta, sabíamos que a vida dos madeirenses seria mais difícil a partir de 

Abril.

Agora chegou a pancada, sentida sobretudo pelos automobilistas mas também, embora mais manhosa, por todos os cidadãos na hora do consumo, de qualquer consumo, até da água.

Algumas vozes discordam de o gasóleo não ter sido atingido pelo aumento das taxas do ISP, apontando para o facto de os carros a gasóleo serem os mais caros e logo adquiridos por quem mais pode. Porém esquecem-se de que esse aumento no gasóleo iria refletir-se obrigatoriamente nos custos dos transportes públicos de passageiros e nos preços de quase todos os bens. Seria bom que o Governo Regional conseguisse manter o gasóleo imune ao aumento, do que desconfio dada a seguinte passagem do Programa de Ajustamento Financeiro: “Em alternativa à implementação de portagens, o GRM manterá no decurso do Programa as taxas de ISP superiores em, pelo menos 15%, face às taxas em vigor em Portugal Continental”. Veremos como o GRM (Governo Regional da Madeira) conseguirá justificar esta exceção aquando da análise trimestral deste programa.

Agora chegou a pancada, com reflexos terríveis sobre os desempregados e sobre as gerações mais jovens, sobretudo, mas se os madeirenses não deixarem de olhar para os outros (os europeus e os portugueses do Continente) como responsáveis pela situação a que chegaram, o plano inclinado em que caíram não se alterará.

Perante as dificuldades que se adivinhavam, os madeirenses voltaram a dar a maioria absoluta ao PSD de Jardim. Este continua a atirar para outros as suas responsabilidades, mesmo quando assinou um programa de ajustamento que diz, com todas estas letras: “O pagamento da dívida é da responsabilidade da Região e a aceitação do presente Programa é feita de forma voluntária e incondicional”. Articulista após articulista, artigo após artigo, o Jornal da Madeira continua na diabolização do Governo PSD/CDS da República face às dificuldades acrescidas em que a Região está envolvida. Esta estratégia é justificada pela angústia que se apoderou das lapas agarradas à rocha do poder há trinta e seis anos, mas quando os partidos da Oposição se juntam ao coro então a conversa só poderá significar incapacidade política. Ó gente, ainda não se percebeu que o Governo da República não assumiu a dívida da Madeira porque não pode? Ainda não se percebeu que mesmo qualquer governo socialista pagaria a dívida se pudesse?

As movimentações no interior do PSD/M mostram que até militantes deste partido se dão conta de que o problema está na governação regional e de que só os madeirenses poderão resolver o problema. Se a Oposição não perceber isto, a pancada será maior.

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