Por uma guitarra
Dead Combo: pelo som de uma guitarra viajo. Afasto-me para uma praça grande, à beira do rio e depois, com o cheiro a sardinha subo becos e
estreitas ruas com alma.
Eu sou aquele que arrastou por Alfama a sua mala vermelha e um coração saudoso enquanto se acendiam os fogareiros nos lugares do fado.
Eu sou aquele que partiu no grande veleiro duma cidade chorando mulata para atear o incêndio de uma ilha.
Eu sou aquele que viu o mar misturar seus calhaus com os lameiros da serra por debaixo da cama.
Eu sou aquele que tremeu sob os rugidos vingativos de uma ribeira brava enquanto a mãe lavava uma fralda de sangue e dor.
Eu sou aquele que sonhou o horizonte e sua morada de antanho se os barcos vogavam em luz de sonho.
Eu sou aquele que chora os barcos ao longe, as águas correndo e o mar em fundo.
Onde estão os riachos, as pedras da calçada, a terra do chão e os amores de burro? Onde estão as bufas de senhora, os amores-perfeitos e as malvas do caminho?
Eu sou quem foge dos lugares vazios, das ponchas inglesas e das levadas cantadas.
Por um olhar que era só meu, ao som de uma guitarra. Meu fado. Minha viagem: Dead Combo.
[twitter style=”vertical” float=”left”] [fblike style=”standard” showfaces=”false” width=”450″ verb=”like” font=”arial”] [fbshare type=”button”]
PUB
