Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza alia-se a outras organizações internacionais na divulgação do Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores. A data pretende alertar para a contínua expansão de monoculturas verificada por todo o mundo, com destaque actual para as plantações da Portucel Moçambique.

Neste Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores, o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais volta a denunciar os graves impactes decorrentes das plantações em grande escala de eucaliptos e outras espécies, bem como para a necessidade de salvaguardar as florestas naturais.

Também tem efeitos sociais nocivos, uma vez que as monoculturas estão muito expostas às variações dos mercados, sendo vulgar a afetação de vastas áreas do planeta quando as condições de mercado se tornam desfavoráveis à monocultura praticada nessa região, provocando o êxodo populacional e miséria nas áreas afetadas.

À destruição dos recursos de flora e fauna, soma-se a degradação dos recursos hídricos locais, como resultado da ação combinada do uso massivo de agroquímicos, do consumo excessivo de água por parte das monoculturas, de obras de drenagem e de processos de erosão do solo.

Em Moçambique existem grandes projectos, com destaque para os da Portucel Moçambique que já anunciou a construção de uma enorme fábrica de celulose e, está a expandir grandes plantações de eucaliptos em Moçambique, visando uma área de 356.000 hectares nas províncias centrais de Zambézia e Manica. Embora apenas uma pequena parte da área total tenha sido plantada até o momento, já existem conflitos com as comunidades locais devido à alteração de uso do solo, que levaram também à divulgação de um abaixo-assinado para travar a plantação de eucaliptos.

Em Portugal também é evidente a expansão de monoculturas, das quais se destaca a vasta área de eucaliptal. O eucalipto é já a espécie que mais área ocupa em Portugal, com cerca de 812 mil hectares de povoamentos instalados, segundo os dados de 2010, do Inventário Florestal Nacional, que já estão desactualizados.

A Quercus considera negativa a expansão das monoculturas de eucaliptos, devido aos impactes sobre os ecossistemas, como a destruição da biodiversidade, sendo um fator crítico na propagação dos grandes incêndios. Como tal, devem ser tomadas medidas que imponham condicionantes de ordenamento do território florestal às monoculturas, as quais é essencial estarem associadas a áreas com outras espécies de folhosas mais resistentes ao fogo.

O regime de arborização que está em vigor desde Outubro de 2013, no nosso País, veio facilitar a expansão dos eucaliptais em monocultura, contudo, o Governo assumiu o compromisso de revogar este regime, criando um novo, o qual esperamos seja menos destrutivo para a floresta.

 

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