Cabo Girão terá área protegida em terra e no mar

A Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais pretende criar a Área Protegida do Cabo Girão. No fundo, Susana Prada “quer juntar ao futuro Parque Natural Marinho, as fajãs, enquanto paisagem protegida, e a arriba, como monumento natural”.

O Cabo Girão constitui uma das mais altas arribas do mundo, devendo o seu nome ao facto de ter sido o ponto onde terminou o giro da primeira viagem de reconhecimento da ilha, aquando da sua descoberta.

“A área marinha, costeira e arribas do Cabo Girão têm um valor natural e cénico extremamente elevado. Estas características únicas têm suscitado uma procura cada vez maior para o desenvolvimento de múltiplas atividades humanas com grande relevância socioeconómica”, aponta a secretária regional do Ambiente.

“Esta área caracteriza-se pela existência de um relevante património natural, onde se destaca o geossítio do Miradouro do Cabo Girão, que evidencia particularidades naturais de elevado interesse científico, didático e turístico. A estas, associam-se formações vegetais naturais, zonas de nidificação e repouso da avifauna marinha e ainda o património cultural presente nas várias fajãs, testemunho da presença humana numa tentativa de conquistar terreno agrícola, constituindo poios com muros de pedra aparelhada”, complementa Susana Prada.

Em termos geológicos, a paisagem costeira do Cabo Girão caracteriza-se por uma arriba vertical, com 580 metros de altura, apresentando na base depósitos de vertente resultantes do desmantelamento desta, de declive suave, que constituem fajãs. A arriba, talhada em formações do Complexo Vulcânico Intermédio, cujos materiais eruptivos – piroclastos de queda e escoadas basálticas – foram empilhados ao logo do tempo, tendo sido posteriormente atravessados por uma densa rede filoniana.

Através da Resolução n.º 1225/2015, aprovada em Conselho do Governo Regional de 23 de dezembro de 2015, o Cabo Girão passou a fazer parte da lista nacional de Sítios de Importância Comunitária (SIC) da Rede Natura 2000, devido à existência de espécies de flora e comunidades vegetais de elevada importância para a conservação.

As escarpas da zona do Cabo Girão constituem um local privilegiado para a nidificação de algumas espécies de aves marinhas pelágicas, tais como a Cagarra (Calonectris borealis), o Roque-de-castro (Oceanodroma castro) e o Garajau-comum (Sterna hirundo).

A singularidade, qualidade e diversidade dos valores presentes conferem ao local um elevado valor turístico e cultural sendo um dos espaços naturais privilegiados da Região, com forte potencial de atração de visitantes.

É neste enquadramento, e por forma a fomentar o desenvolvimento de atividades humanas compatíveis com a salvaguarda dos interesses ambientais existentes neste espaço natural, que o governo pretende criar a Área Protegida do Cabo Girão, composta na sua parte marinha pelo Parque Natural Marinho do Cabo Girão (criado nos termos da Proposta de Decreto Legislativo Regional, aprovada por Resolução do Conselho do Governo Regional, de 22 de setembro de 2016), e na sua parte terrestre pelo Monumento Natural do Cabo Girão e pela Paisagem Protegida do Cabo Girão.

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