‘Estudo dos movimentos migratórios é fundamental para história da Região’

“O estudo dos movimentos migratórios de e para a Região é fundamental para a compreensão da nossa história”. Quem o afirmou foi Natércia Xavier, diretora regional da Cultura, esta manhã, na sessão de abertura do colóquio “As Mobilidades no Espaço e no Tempo”, uma iniciativa do Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA).

A diretora regional sublinhou, ainda, que o fenómeno da emigração que tem influenciado o desenvolvimento social e económico da Região tem sido alvo de estudo pelo CEHA. “Trata-se de um estudo que não se limita às chamadas fontes oficiais da História, mas que procura ouvir as fontes anónimas, aqueles que viveram na primeira pessoa essa experiência. E este ano, também nesta ‘casa’, já tivemos oportunidade de participar noutras iniciativas onde a memória é valorizada”, apontou.

Até porque, acrescentou, “há subjacente à condição de ilhéu, uma predisposição para a procura do movimento, da mobilidade. “A condição de madeirense tem essência também num desejo de mar que nos tem levado aos quatro cantos do planeta”.

“Este colóquio é, por isso, fundamental, porque nestes dois dias teremos a oportunidade de ouvir, de contar, de partilhar, de abrir horizontes para uma realidade que não está assim tão distante, porque o mar nos continua a chamar para outros rumos”, vincou Natércia Xavier.

A diretora regional recordou também que o Brasil, tema do colóquio que hoje se iniciou, é um dos destinos de eleição da longa história dos movimentos migratórios dos madeirenses, sobretudo desde o final do século XIX e princípio do século XX, quando houve uma grande vaga de emigrantes da Região a procurar naquele país novas e melhores oportunidades de vida. “Hoje, em cada família desta Região, deve haver memória de pelo menos um familiar que procurou no Brasil o seu ‘El Dorado’.”

Também na sessão de abertura do evento, Alberto Vieira, coordenador do CEHA referiu que o século XXI é o século da ‘desmemória’, já que “há uma tentativa muito evidente por parte da nossa sociedade da destruição da memória”. Nesse sentido, acrescenta, “o CEHA é contracorrente. Desde 2014 temos o projeto Memória e dentro desse projeto temos valorizado vários aspetos, problemáticas que consideramos fundamentais para o conhecimento da História da Madeira, e uma das componentes que achamos fundamental é a questão da mobilidade ou a emigração”.

Sobre o colóquio iniciado esta manhã, o também investigador disse ser um encontro pequeno, que tem vindo a ser realizado nos últimos anos, “mas que é rico e importante para chamar a atenção para a temática das mobilidades, hoje cada vez mais em evidência na nossa sociedade e uma temática que é transversal a todas as áreas do conhecimento humana”.

O Colóquio “As Mobilidades no Espaço e no Tempo” decorre até amanhã no auditório do CEHA, hoje até às 19 horas e amanhã entre as 9 as 17 horas, sempre com entrada livre. No próximo ano, o colóquio das mobilidades versará sobre o fenómeno migratório para a Venezuela.

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