MONTANHA RUSSA

TEMPOS DIFÍCEIS – Agora parece que é oficial: a crise é séria, muito séria e vai fazer-nos sofrer. A dureza das medidas anunciadas, primeiro pelo primeiro-ministro e depois confirmadas pelo ministro das finanças, são de tal forma austeras que até as mais pessimistas das previsões não previam cortes tão profundos. Na realidade, desta vez, até os analistas foram apanhados de surpresa e todos chegámos à conclusão que a situação que se dizia má, é de facto, muito má! Em todo o caso, o povo parece anestesiado, a reação tem sido discreta e dá a impressão que ainda estamos tão atordoados que nem conseguimos reagir.

O corte dos subsídios de férias e de Natal em 2012 e 2013 e todas as outras subtrações que o nosso rendimento tem sofrido nos últimos tempos, representam menos 20% de vencimento, o que convenhamos é um autêntico roubo! Para muitos portugueses os 13º e 14º meses representam, antes de mais, um equilíbrio das suas contas, aproveitando esses vencimentos para liquidar algumas despesas que ao longo do ano foram surgindo, agora o esforço para cumprir todas as obrigações das famílias será muito mais difícil. Esta perseguição aos funcionários públicos, que já se iniciou há alguns anos, mostra que afinal a austeridade não é para todos, as medidas atacam preferencialmente a classe média que, por este andar, em breve, deixará de existir.

Quanto ao governo, tomou uma decisão que não é fácil, mas ainda assim optou por só a aplicar aos funcionários públicos, com o argumento que só assim se conseguirá diminuir a despesa pública, se tivesse encontrado um outro mecanismo que generalizasse a medida, talvez esta fosse mais bem aceite por todos e talvez não fosse preciso retirar os dois subsídios durante os dois anos. Para nós, aqui na Madeira, dizem-nos, que a revelação da austeridade ainda não está completa mas pergunto: nós ainda conseguimos aguentar mais austeridade?

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