Região investe pouco na arqueologia preventiva

O arqueólogo Élvio Sousa considera que na Região há “uma falta de vontade política para legislar” na área da arqueologia.

“Como Fazer História com Cacos, Pedras e Ossos? Problemáticas da discursividade de um mundo material que não carrega um texto a três dimensões” é como se intitula a conferência que irá decorrer hoje, pelas 18h00, no auditório do Centro de Estudos História do Atlântico (CEHA). Inserido no painel de História e Cultura Material do CEHA, do Governo Regional, o referido evento terá como orador Élvio Sousa.

Na ocasião, aquele responsável abordará a forma como o arqueólogo e o historiador das fontes materiais “hoje é capaz de dar visibilidade às coisas que não trazem um texto a três dimensões”.

“Os objetos, as estruturas, não trazem, na maioria das vezes, um texto escrito, tal como as fontes escritas. Portanto, nós fazemos um pouco aquele trabalho de dectective de procurar as escassas referências que ficam nos determinados contextos, no sentido de tentar construir um percurso histórico à volta dessa informação”, explicou o arqueólogo.

No entanto, Élvio Sousa lamenta o facto da arqueologia feita na Madeira ainda incidir muito na investigação do relatório em vez de incidir mais numa arqueologia preventiva.

“Ao contrário, por exemplo, do arquipélago dos Açores, que tem investido bastante na parte de arqueologia preventiva, através de empresas que fazem trabalhos arqueológicos em áreas sensíveis, aqui na Madeira, além de não haver um diploma regional que rege a arqueologia, não se tem apostado essencialmente nesta fase preventiva”, apontou o arqueólogo, acrescentando que as autarquias do Funchal e de Machico “mais depressa têm feito essa ação preventiva” do que o próprio Governo Regional.

Refira-se que essa ação preventiva baseia-se em fazer “cumprir a lei”, nomeadamente a lei 107/2001, de 8 de Setembro, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural.

“A referida lei estabelece que as obras de construção civil, feitas em determinados centros históricos ou em edifícios de interesse patrimonial, devem ser antecedidas de trabalhos suportados com a visão científica do arqueólogo. Temos de ter consciência que quando não há esse acompanhamento é a história da Madeira que se perde”, advertiu Élvio Sousa.

Aquele responsável frisou, também, que não há falta de arqueólogos na Região, mas sim “uma falta de vontade política” para legislar. “O essencial para a Madeira é criar projetos de investigação devidamente enquadrados e haver uma pedagogia dos departamentos do governo em relação às empresas e às próprias câmaras que intervêm nos centros históricos para salvaguardar a informação”, defendeu.

Em relação à decisão de criar uma carta arqueológica única para os três arquipélagos (Madeira, Açores e Canárias), uma das conclusões tomadas no III Encontro de Arqueologia das Ilhas da Macaronésia, que ontem terminou nos Açores, Élvio Sousa refere que tal decisão é importante.

Porém, “a carta arqueológica que se fala – modéstia à parte – foi a associação ARCHAIS que, em 1998, lançou esse tema”, concluiu o arqueólogo.

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