Receitas aviadas, mas só pela metade

Se não for a crédito, muitos madeirenses deixam de adquirir os medicamentos na totalidade.

Se não for com o recurso ao crédito, muitos madeirenses deixam de adquirir os medicamentos na totalidade.

Não se trata de um facto novo, mas a verdade é que as farmácias notam que as famílias madeirenses sentem cada vez mais dificuldades para aviar as receitas.

Maria Ferreira, diretora técnica da Farmácia Almeida, sublinha que são muitas as pessoas que comparam os preços dos medicamentos. E no fim, quase em jeito de desculpa, ficam de comprar mais tarde.

«Com esta crise as pessoas têm menos dinheiro, cortam em várias coisas e também nos medicamentos. Quando chegam ao balcão há sempre um medicamento ou outro que dispensam, e normalmente é o mais caro».

Naquele estabelecimento, em concreto, as vendas efetuadas a crédito estão a ser pagas. “Não recebemos tudo de uma vez, isso é certo, recebemos 10 euros de uma vez, 10 euros de outra. Mas não temos muitos calotes a registar”.

O facto das comparticipações do Estado serem constantemente alteradas também não ajuda ao serviço prestado. Isto porque, para além de confundir os utentes, “complica o trabalho dos farmacêuticos, que têm de explicar o porquê dos aumentos”.

Na Farmácia Da Ajuda não se efetuam vendas a crédito, simplesmente porque tal não tem sido solicitado, constata a diretora técnica, Sara Sousa. Todavia, tal como nos estabelecimentos congéneres, verifica-se uma quebra no consumo e algumas reticências no ato da compra.

«As pessoas queixam-se muito das variações nas comparticipações, o que acaba por tornar os medicamentos mais caros.» Um dia podem adquirir a um preço e no mês seguinte, face à nova legislação, pode ter outro.

A crise tem, desta maneira, graves implicações para a saúde da população madeirense. E, aqueles que querem um maior controlo orçamental, não se escusam a pedir os genéricos. Na Região Autónoma da Madeira, por imposição legal, os farmacêuticos têm a obrigação de elucidar os utentes sobre as alternativas disponíveis.

A título de curiosidade, no arquipélago dos Açores, o Secretário Regional da Saúde anunciou que abrirão em Janeiro as primeiras farmácias em unidose nos hospitais de Angra e Ponta Delgada, permitindo diminuir os custos com os medicamentos.

[fblike style=”standard” showfaces=”false” width=”450″ verb=”like” font=”arial”]

[fbshare type=”button”]

[twitter style=”vertical” float=”left”]

Pin It on Pinterest