Fim das ligações marítimas será dramático para a economia

Fim do transporte marítimo de pessoas e mercadorias gerará aumento de custo para os bens transportados.

Ainda não foi confirmado, nem pela Naviera Armas, nem pela Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes, mas muitas notícias dão como certo o fim das operações de ligação marítima entre o Funchal e Portimão.

Para alguns empresários madeirenses, habituados a utilizar o transporte marítimo para os seus negócios, são necessárias alternativas. Trata-se de um retrocesso no desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira.

António Trindade, administrador do Grupo Porto Bay, diz mesmo que o fim destas ligações marítimas será dramático para a economia regional, sobretudo quando, em termos turísticos, perdemos o diferencial do IVA.

“Este decréscimo de transporte gerará, necessariamente, um aumento de custo para os bens transportados e para a própria mobilidade regional. Foi uma coisa que conseguimos conquistar, depois de muitos anos, e julgo que esta saída gerará momentos particularmente difíceis no meio madeirense”.

Especificamente nos hotéis do grupo, que servem uma média de 1500 refeições por dia, o Naviera Armas assume um papel fundamental no transportes de determinados géneros. “Há uma grande percentagem de produtos que chegam através do Armas e isso poderá ter implicações na organização”.

O hoteleiro considera que o Governo Regional descurou a questão dos transportes de e para a Madeira, quer sejam marítimos, quer sejam aéreos. Isto porque, analisando o panorama atual, a mobilidade regional é assegurada por empresas estrangeiras ou nacionais. “É um desafio, para todos os parceiros sociais, fazer com que esta linha não desapareça”.

Rui Carvalho, responsável pela implementação do parque de diversões Luna Park na Região, também defende a importância da Naviera Armas para a economia madeirense, mas lamenta que, desde o aparecimento da empresa espanhola em 2006, os preços praticados tenham aumentado cerca de 40%.

Se para os passageiros e transportes de viaturas ligeiras ainda se mantêm os benefícios, no que concerne ao transporte de mercadorias “os preços tornaram-se incomportáveis”, havendo mesmo outros meios de transporte marítimo menos dispendiosos.

O empresário sublinha, ainda assim, que as ligações vão fazer falta ao mercado regional, em concreto ao nível do turismo e dos bens alimentares. E, por isso, aos operadores dos serviços de transporte marítimo de pessoas e de mercadorias pede-se mais sensibilidade para a atual situação económica.

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