Politiquices

Anda toda a gente aflita com a sua situação económica e financeira, principalmente aqueles que perdem os seus empregos e os que cada vez veem mais longe a oportunidade de conseguirem trabalhar. Esta condição angustiante espalha-se por todo o País, onde fecham empresas e a pobreza atinge números alarmantes. Na Madeira, não estamos imunes ao que se passa no resto da nação, com a circunstância agravante de a dívida regional nos derrear mais do que aos restantes portugueses, como resultado de uma política cujo interesse maior foi a manutenção no poder e a alimentação de uma clientela essencialmente instalada no setor da construção civil.

Os erros do poder regional não redimem porém as governações nacionais do PS e do PSD ao longo de muitos anos, especialmente a partir da última década do século passado. As políticas e jogos de interesses não se afastaram muito das práticas governativas regionais, como é fácil de constatar pela dança de cadeiras na gestão das empresas públicas, pela circulação entre cargos públicos e mundo empresarial e pelos fumos de corrupção que se disseminam pelos diversos níveis do poder estatal.

Se o PSD/Madeira tem de assumir as suas responsabilidades pelo estado a que a Região chegou e por ter liquidado os sonhos desta e de gerações futuras, os socialistas madeirenses nunca ganharão credibilidade se continuarem a criticar o Programa de Ajustamento Financeiro à Madeira do modo que têm feito.

O Governo de José Sócrates viu-se obrigado a ceder quando já tinha rapado o fundo do tacho e não havia dinheiro para pagar reformas e vencimentos dos funcionários públicos e os bancos já não emprestavam. O Governo de Alberto João Jardim pediu quando, do mesmo modo, e sem crédito, não podia pagar nada a ninguém, porque nem o casco do milho ficara na panela. Tal como o grande problema regional não é este plano que agora cai nas costas dos Madeirenses, mas o que se fez para chegar a esta desgraça, também a nível nacional as críticas não podem ser assacadas ao acordo com a “troika”, mas a todas as más políticas de esbanjamento e endividamento que a isso obrigaram.

O povo madeirense, que não é ignorante, sabe que a grande maioria das medidas a serem aplicadas na Madeira é uma exigência do acordo assinado entre o Governo PS e a troika: os cortes de salários e de subsídios na função pública, as reduções nas despesas de saúde e de educação, os aumentos de transportes em pelo menos 15%, o aumento do IVA, o fim das deduções no IRS e tantas e tantas medidas que encheriam páginas deste jornal. E nenhuma dessas medidas foi imposta pela “troika”, como explicou Pedro Silva Pereira, em 6/5/11, quando era ministro da presidência do Governo de Sócrates: “o plano de resgate não foi imposto ao País pela “troika mas negociado”.

A medida dura que os Madeirenses suportarão a mais do que os continentais será o aumento em mais de 15% do imposto sobre os combustíveis. Tentar ocultar isto e os erros dos governos da sua cor partidária é demagogia socialista que os Madeirenses perceberão como politiquice barata.

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