Montanham russa

O Tal Prefácio – O Sr. Presidente da República (PR) publicou mais um livro com os seus discursos presidenciais (“Roteiros VI”) e no prefácio da obra atacou com inusitada dureza o ex-Primeiro-Ministro, José Sócrates. As palavras de Cavaco Silva foram amplamente comentadas e foram muitos os que viram nesta atitude um ajuste de contas entre o PR e o anterior chefe de governo, Cavaco mostrou uma vez mais (já o havia feito no discurso de tomada de posse do seu segundo mandato) que é vingativo e não esquece quem lhe pisa os calos, mas creio que desta vez foi um pouco longe de mais. Muito daquilo que o PR afirma corresponde à verdade, pois os governos de José Sócrates conduziram o país a um estado comatoso e também é verdade que, em relação ao PEC IV, o antigo ex-líder socialista negociou com Bruxelas sem dar cavaco (ops!) a ninguém. Mas estas verdades, agora apontadas pelo residente do Palácio de Belém, não surgiram por estes dias e creio que o PR tem (e tinha) instrumentos legais ao seu dispor para fazer ver ao chefe do governo os graves erros da sua governação e as consequências que dai viriam para o país. Não chega dizer que fez vários alertas públicos sobre o estado das finanças públicas… se o PR, o mais alto representante da nação, sentia que o país estava a caminhar para o abismo a sua obrigação era fazer tudo, e mais alguma coisa, para o salvar… pois se o governo se mostrava surdo aos seus alertas, Cavaco deveria ter ido mais longe e, em última análise, destituir o governo das suas funções. Já sabemos que a destituição do governo só deve usada pelo PR quando este considera que em causa poderá estar o normal funcionamento das instituições democráticas… e então? Não foi o que então sucedeu? Vir agora, que o governo em causa já não está em funções e o engenheiro Sócrates nem se encontra no país, lançar estas afirmações é apenas uma medida revanchista, inconsequente e que, mais uma vez, dá uma péssima imagem do Prof. Aníbal Cavaco Silva. Pode haver uma outra explicação para Cavaco ter sido tão duro… lançar alguma polémica para promover o seu livro, afinal, sem este prefácio, quem é que iria querer ler os entediantes discursos presidenciais?

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