Novas espécies de aranhas nas Desertas [VÍDEO]

O Plano de Monitorização dos Artrópodes das Ilhas Desertas descobriu oito novas espécies de aranhas com interesse para a ciência.

O referido plano, realizado ao abrigo do Projeto SOST-MAC, foi desenvolvido durante dois anos pela equipa da ITB – Investigação e Transferências de Biotecnologia liderada por Pedro Cardoso.

Segundo explicou o especialista em artrópodes, hoje durante a apresentação dos resultados do plano de monitorização, os trabalhos tiveram como objetivo primordial efetuar uma avaliação do estado de conservação de Hogna ingens (Tarântula das Desertas), espécie endémica do arquipélago e exclusiva da Deserta Grande, e cuja área de distribuição tem diminuído ao longo dos anos.

Pedro Cardoso salientou, ainda, que o conhecimento da aracofauna das ilhas Desertas “era incipiente” aquando do arranque deste plano de monitorização, sendo conhecidas apenas 11 espécies (Cardoso & Crespo, 2008) até essa data.

Contudo, e após a implementação deste plano, os dados recolhidos permitiram adicionar mais algumas espécies ao elenco conhecido, quadruplicando a cifra conhecida, que agora está nas 43 espécies. “Temas 32 espécies novas para a Deserta Grande, das quais oito são possivelmente espécies novas para a ciência ou de estatuto incerto, pertencendo aos géneros Lathys (1 espécie), Hahnia (2 espécies), Typhochrestus (1 espécie) e Dysdera (4 espécies)”, apontou o coordenador do plano de monitorização, acrescentando que vão ser desenvolvidos novos estudos.

A idade do arquipélago, segundo Pedro Cardoso, estará na origem da grande variedade de espécies, as quais se adaptaram ao meio. “A Madeira tem ilhas relativamente antigas, ou seja, há tempo para os ancestrais destas espécies chegarem, seja do continente, da costa africana ou da Península Ibérica, entre outros locais. Ao ficarem aqui isoladas acabam por dar origem a novas espécies”, explicou.

O especialista em artrópodes destacou, também, que os resultados obtidos são de grande importância em termos de conservação de espécies. “São espécies que são exclusivas num território relativamente pequeno como a Deserta Grande. Agora temos de estudar se as referidas espécies estão a ser ameaçadas. É o caso da tarântula que está a ser ameaçada por uma planta invasora e que durante os últimos 10 ou 15 anos teve uma redução da área de ocupação, talvez de 80%”, concluiu.

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