Contas à vida

Já muito se falou sobre o ensino nas escolas em Portugal. Já quase toda a gente, desde o Sr. Dr. da Universidade ao Quim Roscas da tasca, disseram de sua justiça. Mas, e apesar de muito se ter mexido ao longo dos anos no sistema de ensino, na programática, na metodologia, nos horários e por aí fora, a verdade é que o que continua a assustar são mesmo os números. E não me refiro à matemática.

Facto: todos nós sabemos que o modelo de ensino actual está hipotecado. Primeiro está aprisionado pelos maus resultados. Prova disso são os números dos exames nacionais deste ano lectivo. Para variar, médias negativas a Português (9.7%), Biologia e Geologia (9.3%), Física e Química A (7.5%) e Matemática A (8.7%). E, infelizmente, não está a melhorar. A título de exemplo, A média dos exames nacionais do Secundário baixou 2,4 pontos a Física e Química, a maior descida de todas disciplinas, situando-se nos 8,1 valores (em 20 possíveis) com uma taxa de reprovações que subiu de 16 para 24%. Em 2011 havia sido de 10,5%, a primeira vez em seis anos em que se registou uma subida. Outra: entre os mais de 51 mil alunos que fizeram a prova na primeira fase, que este ano era obrigatória, a taxa de reprovação a Biologia e Geologia aumentou de 7 para 10%. E nem sequer vale a pena ir ver a besta negra de quase todos os alunos, a matemática.

No entanto, no país onde “fazer contas” ou “usar a calculadora” é quase tradição, e apesar de quase ninguém particularmente apreciar a arte, não deixa de ser curioso que o melhor aluno de matemática do mundo seja… português! O “Ronaldo” dos números é um jovem de 16 anos de Alcanena, de seu nome Miguel Santos, que conquistou uma medalha de ouro nas Olimpíadas Internacionais de Matemática, realizadas na Holanda, um resultado inédito para Portugal. Como se explica isto? O rapaz diz que gosta do que faz. E se calhar parte da explicação está mesmo aqui.

Afinal para que serve a escola? No meu ponto de vista serve para preparar os jovens para uma autonomia de vida, para o desenvolvimento de competências sociais, comunicação interpessoal e, sobretudo, ganhar ferramentas que o preparem para a vida em sociedade e para o mercado onde procurará se inserir. Pelo que se impõe a pergunta: está a Escola actual atenta à realidade económica, financeira e social do país e do mundo? Ou simplesmente entretida em encher os seus alunos do tal “conteúdo programático”, tão essencial que nem mudar uma lâmpada ensina?

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