Sociedade “fecha os olhos” ao consumo de álcool

A Associação Mão Amiga exige mais fiscalização especialmente numa altura em que se realizam vários arraiais.

O aumento do consumo de álcool na sociedade madeirense é uma realidade visível. As festas e os arraiais, sobretudo durante os meses de Verão, servem de chamarizes para os jovens, mas ao longo de todo o ano há um consumo excessivo.

Rui Cardoso, presidente da Associação Mão Amiga, aponta aqui o dedo às entidades governamentais e às empresas que comercializam bebidas alcoólicas.

“A crise serve de desculpa para tudo. As associações que se preocupam com o bem-estar social foram abandonadas pelos apoios governamentais e não temos força, nem ao nível do poder político, nem ao nível financeiro, para combater este flagelo e ajudar as pessoas”.

Apesar das empresas promoverem legitimamente os seus produtos, é preciso uma maior fiscalização. Isto porque, pelo que se assiste no dia-a-dia, parte do público alvo não tem sequer idade para beber. “Vemos muitos jovens a entrar em estado de coma, jovens que perdem o ano escolar ou o ano universitário, jovens que desrespeitam a sua família e tudo por causa do álcool”.

O presidente da Associação Mão Amiga tece também críticas às campanhas de sensibilização e de prevenção, como por exemplo a ‘100% Cool’. “Esta campanha não tem sido mais do que uma promoção ao consumo da bebida. Eles apenas se preocupam com o condutor, se o condutor está ou não bêbado, enquanto que os restantes elementos do grupo até podem estar em estado de coma”.

A Associação de Mão Amiga insiste nos alertas a propósito do consumo de bebidas alcoólicas nas camadas jovens, mas não esquece que os adultos repetem os mesmos comportamentos de risco. Sendo que o aumento do desemprego e, consequente, aumento do tempo livre tem acentuado esta realidade.

“Se há uma maior disponibilidade, até por altura das férias, as pessoas encontram-se e acabam nos cafés e bares a tomar um copo. Vemos pais, vemos avós tudo a consumir.” Rui Cardoso alerta que está criado um ciclo vicioso e que toda a sociedade acaba por ser permissiva a estes comportamentos, que têm efeitos muito nocivos para a saúde.

De acrescentar que, segundo um estudo do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), os jovens portugueses começa cada vez mais cedo o consumo de álcool, bebem em maiores quantidades e embriagam-se mais vezes.

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