Utopias Insulares

A “Silly Season” de Agosto é propícia a devaneios de todo o género e estilo, sendo transversal a muitas áreas da sociedade. Utopias e géneros, ideias tresloucadas ou sapiências enfermas, tudo serve, talvez justificados pelo calor em demasia ou por alguns copos a mais numa praia próxima de si. A política não é excepção.

A última “estória”, vinda de alguém cuja responsabilidade implica dar o exemplo a todos nós, fala na vontade expressa em referendar o povo madeirense acerca da autonomia da Madeira. Ou seja, por outras palavras, o que se quer discutir (ou lançar para a discussão, o que é praticamente a mesma coisa), é uma e única coisa: a independência deste pequeno calhau plantado à beira África.

Nem sequer discuto aqui a ínfima possibilidade de sobrevivência da nossa Madeira enquanto Estado independente. Basta dizer que não temos recursos, não temos meios, não temos matéria e, mais importante ainda, não temos dinheiro. Logo aqui se percebe a tal Utopia, o tal desejo manifestado mas inalcançável, não passa disso mesmo, palavras jogadas ao vento – que normalmente vão aterrar nas margens do nosso Portugal Continental…

Mas isto é mais do mesmo. Existe um padrão de comportamento bem claro para quem quiser observar: há uma ameaça (ou suposta ameaça), pela que reage já instintivamente, lançando os fantasmas separatistas, bolorentos e empoeirados ao todo nacional. Como é que isto é para reforçar a coesão nacional?

Pergunto-me se isto ainda convence alguém? Se este ruído é ainda capaz de desviar as atenções dos verdadeiros problemas que assolam à nossa Madeira? Os problemas daqueles que se vêem perante cortes radicais que sufocam o orçamento familiar; os problemas daqueles que não encontram emprego; os problemas daqueles que vivem sobre-endividados; os problemas daqueles que são obrigados a sair em busca de uma vida melhor noutro lado qualquer. Não acredito, nem quero acreditar.

Que tal olhar um pouco para as pessoas? Que tal ouvir as pessoas, conhecer as suas necessidades e dificuldades diárias? Que tal não mandar “olheiros” em busca de soluções milagrosas, mas vestir a camisola, entrar em campo e organizar uma táctica de jogo que leve a equipa vencer? A solução da Madeira passa pela aposta no seu próprio produto. Já é tempo de se acreditar nos Madeirenses!

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