Daniel pode ver os pais na prisão

Pai vai aguardar julgamento por suspeita de violação, mãe está acusada por rapto.

Carlos Abreu Sousa, o pai da criança desaparecida na Calheta em 2014, é suspeito de violação. A mãe de Daniel já foi acusada pelo Ministério Público do desaparecimento do filho. Estão ambos sujeitos a penas de prisão. Os filhos menores ficarão “temporariamente” com familiares.

Ricardo Jorge Soares
rsoares@tribunadamadeira.pt
Em prisão preventiva, no Estabelecimento Prisional da Cancela. É assim que Carlos Abreu Sousa vai aguardar julgamento por suspeita de violação. A medida de coação, a mais gravosa, foi determinada por perigo de fuga, continuidade da actividade criminosa e alarme social.
A detenção do pai de Daniel, o menino que esteve desaparecido na Calheta em 2014, surge cerca de três meses depois de denúncia efectuada por uma jovem de 17 anos.
A rapariga contou a professores da escola que frequenta que teria sido atacada e violada, a 2 de Maio, na piscina municipal onde Carlos Sousa trabalhava há sete meses no âmbito de um programa do Centro de Emprego.
Após ter sido apontado como o alegado autor do crime, Carlos Sousa, de 28 anos, negou as acusações a vários órgãos de comunicação social. Acabou detido na última segunda-feira.
Os problemas do pai de Daniel com a Justiça surgem depois da própria mãe do menino, Lídia Freitas, ter sido acusada pelo Ministério Público (MP), em Maio deste ano, pela prática dos crimes de rapto e tráfico de pessoas.

Mãe acusada do desaparecimento do filho
Daniel desapareceu durante encontro familiar na casa de um tio – localizada no sítio dos Reis Acima, zona alta do concelho da Calheta – e foi encontrado por um levadeiro, sozinho, no meio da floresta. Embora “clinicamente bem”, foi considerado “intrigante” que o menino tenha conseguido sobreviver ao relento durante três dias e três noites.
A operação de busca foi desencadeada após o alerta do desaparecimento da criança. Envolveu elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP), Polícia Judiciária (PJ), bombeiros da localidade e uma equipa cinotécnica da Guarda Nacional Republicana (GNR), além da colaboração de populares e elementos da Guarda Florestal.
A busca terminou ao final da manhã seguinte ao desaparecimento por indicação do coordenador da PJ no Funchal, que admitia a hipótese de a criança ter sido raptada e posteriormente deixada no local onde foi encontrada. A PJ, garantia então Eduardo Nunes, iria investigar o caso enquanto não estivesse resolvido.
A detenção da mãe de Daniel acontece passados seis meses. Em Junho, durante um interrogatório nas instalações da PJ, Lídia Freitas terá confessado que participou no desaparecimento do filho. Foi constituída arguida.
A reviravolta no caso surge depois de uma queixa por violência doméstica, apresentada contra Carlos Abreu Sousa. A mulher saíra de casa há poucos dias para se juntar ao novo namorado, levando com ela os dois filhos menores.

Menores ficam “temporariamente” com familiares
A 19 de Maio, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa anunciou que o MP pediu o julgamento em tribunal colectivo de Lídia Freitas, por haver indícios de que foi “responsável” pelo desaparecimento de Daniel. E que a mulher teria a intenção de “vendê-la a terceiros para que estes a pudessem adoptar por via ilícita”.
Hoje Lídia Freitas desmente a confissão. Está obrigada a apresentações periódicas às autoridades enquanto o crime de que é acusada não segue para julgamento.
A vida da criança desaparecida em Janeiro de 2014 é que continua num impasse. Com a prisão preventiva que foi decretada a Carlos Abreu Sousa, Daniel e a irmã, que estavam à guarda dos pais, ficarão “temporariamente” com familiares.

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