Reinventa está a “criar oportunidades”

“Criatividade nunca faltou” às pessoas que abraçaram a Associação Reinventa, onde há um grande esforço ao nível do voluntariado.

associacao reinventaA Associação Reinventa tem sido fundamental no processo de integração das crianças e jovens do Bairro da Nazaré. Há um trabalho contínuo de formação e de capacitação que é alargado às famílias. As atividades são apoiadas pela Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), que entende que este trabalho social é uma forma de combater algumas problemáticas sociais emergentes.

Tânia Cova
tcova@tribunadamadeira.pt
A Associação Reinventa surgiu em 2013 no Bairro da Nazaré, no seguimento do Projeto Escolhas, lá desenvolvido entre 2010 e 2012, e desde então desempenha um papel fundamental na inclusão social das crianças e jovens do Bairro da Nazaré, bem como ao nível da educação familiar. Os trabalhos são apoiados pela Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), que entende que capacitar as famílias é uma forma de combater problemáticas sociais emergentes.
Tânia de Canha explica que a IHM tem um acordo de gestão partilhada com a Associação Reinventa, o que permite desenvolver, em parceria, uma série de atividades lúdicas, culturais, desportivas, etc. O apoio institucional prestado pretende chegar a outros pólos comunitários e fazer renascer o espírito de bairro.
“Pretendemos alargar o apoio a outros complexos habitacionais da IHM. Neste momento temos alguns pólos comunitários em funcionamento, nos quais são realizadas atividades para grupos e várias faixas etárias. Tivemos o curso de cozinha económica, o curso de inclusão digital e, em breve, vamos ter cursos EFA, com equivalência ao 5º e 6º ano. Isto é muito importante porque vai permitir à população qualificar-se ao nível de escolariedade”.
Por outro lado, apesar de serem conhecidos alguns estigmas ligados às pessoas que vivem nos bairros sociais da Madeira, a responsável da IHM garante que esta é uma situação que tem mudado com o tempo. É verdade que falamos de “pessoas socialmente fragilizadas”, mas a política de proximidade implementada nos últimos anos, com técnicos que conseguem ganhar a confiança das populações, tem contribuído grandemente para uma mudança social.
“É esse o nosso grande desafio e a IHM está no terreno em vários núcleos habitacionais. Contamos no momento com 64 complexos habitacionais na Madeira, ou seja: a grande parte da habitação social na Madeira é gerida pela IHM e a nossa grande missiva é fazer uma abordagem de proximidade.”
Lembrar que a Investimentos Habitacionais da Madeira tem em funcionamento quatro pólos comunitários: Nazaré, Ribeira Grande, Santa Luzia e Ribeiro Real, em Câmara de Lobos. O objetivo é abrir mais dois pólos no início de 2017, um deles na Estrada Comandante Camacho de Freitas.
Tânia de Canha afirma que nem sempre é fácil chegar a estas pessoas, mesmo quando o propósito é minimizar as problemáticas sociais emergentes, qualificar as pessoas e ajudá-las a seguir os seus objetivos. Sempre vemos, entre umas e outras, “alguma desconfiança”, mas o que se obtém de retorno com o nosso trabalho é muito superior e é algo visível na sociedade.
“Posso dizer que para alguns dos nossos cursos, como por exemplo a culinária económica, há uma lista de espera. As atividades são atrativas para a população porque nós as projetamos consoante as necessidades da população, aquilo que elas sentem falta. Há, sem dúvida, um retorno e isso é a melhor parte. Vemos uma evolução, vemos as pessoas a criar um projeto de vida, vemos as pessoas com mais autonomia e é isso que nós pretendemos.”

Com menos verbas é preciso ser muito mais criativo
Gonçalo Moura, presidente da Associação Reinventa, acrescenta mesmo, em relação ao estigma ligado às crianças e jovens dos bairros sociais, que as associações de solidariedade social tem contribuído muito para esbater as diferenças. E foi por isso que quando acabou o financiamento ao Projeto Escolhas, “sentiu-se a necessidade de continuar o trabalho com estes jovens do bairro da Nazaré. Eles próprios sentiram essa necessidade, daí ter surgido esta associação juvenil, que parte também da motivação dos jovens de continuarem este projeto”.
É claro que com menos verbas é preciso ser muito mais criativo. Mas “criatividade nunca faltou” às pessoas que abraçaram a Associação Reinventa, onde há um grande esforço ao nível do voluntariado. Há também parcerias com entidades públicas, com a realização de atividades conjuntas com outras associações regionais, e privadas. Se bem que a responsabilidade social das empresas também sofra com a crise.
“As entidades privadas reconhecem o trabalho social que é desenvolvido por estas associações, mas comparado com há 10 anos já não é a mesma coisa. A responsabilidade social das empresas diminuiu consoante a crise”. Há também o apoio através da Direção Regional da Juventude e Desporto, mas as verbas “são sempre escassas para os desafios que enfrentamos diariamente” e têm de ser muito bem geridas.
O dirigente associativo faz questão de lembrar que as crianças e jovens participam nas atividades de forma gratuita, desde ações de cidadania, arte, culinária, tutoria escolar, sendo que a idade para participar vai agora até aos 30 anos. Algo que decorre também do facto de haver mais jovens desempregados.
“O foco no trabalho com os familiares é muito importante. De início a nossa associação era juvenil, trabalhava-mos mais com os jovens, mas agora trabalhamos todos os contextos de vida dos jovens, entre os quais a família, que é onde passam a maior parte do tempo e onde se desenvolvem como pessoas. Não queremos a transferência do processo educativo, isto é um processo moroso, mas que tem de contar com a participação de todos.”
Desde o seu aparecimento, em 2013, a Reinventa já envolveu mais de 200 jovens e conta com várias participações em desfiles de Carnaval, em eventos de Natal e algumas participações pontuais, como por exemplo com a Associação de Desenvolvimento Comunitário do Funchal para interação com os idosos.
No momento está um curso um projeto com a Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências – UCAD para a realização de sessões de prevenção na área dos consumos de risco. O presidente da Reinventa, Gonçalo Moura, conclui que o desafio passa por “reinventar-se todos os dias”.

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